Arlequim
O estereótipo do sonhador solitário, olhando as estrelas com um olhar plácido mas nada sereno. Sua poesia não segue exatamente um padrão, alternando entre um modernismo incontido, um simbolismo pé-no-chão com traços excessivos de romantismo-segunda-geração. Facilmente se percebe que é um ser teimoso e que tem prazer em contradizer os outros ou a si mesmo. Não gosta de suas própias poesias. Não nasceu para ser poeta. Escreve um poema a cada dois meses. Obra de destaque: Passos no crepúsculo Lema: "I shall not confront Planet as an enemy,
But shall accept its mysteries as gifts to be cherished,
Nor shall I cruelly seek to peel the layers away like the skin from an onion,
Instead I shall gather them together, as the tree gathers the breeze,
The wind shall blow and I shall bend,
The sky shall open... and I shall drink my fill..."
Lady Deirdre Skye, Gaian's acolyte prayer.
blog pessoal icq:148768874
e-mail: iago.pe@bol.com.br
0Infante
Dotado de uma atenção extremamente volúvel e de uma tendência para engrandecer casos ao ponto de parecerem uma grande mentira. Tem na poesia a dualidade de pensamento e ação, admirador do jogo de palavras e ritmo. É, contraditoriamente romântico. Vive do passado, e de certa maneira se orgulha disso. Sua máscara é a felicidade, parece ser simplesmente impossivel vê-lo triste, e mesmo que estes sorrisos não sejam falsos, raramente traduz a sua felicidade interior, ainda assim peca pelo otimismo excessivo. Obra de destaque: Meu espelho militar Lema: "Pense em tudo, mas pense curto".
Shin´an Anklet
Tão bela quanto as poesias que escreve, fez das palavras sua arte. É uma menina meiga e por vezes confusa, mas muito coeza quando tenta descrever o que sente, estima sua fé e crença e isso torna sua vida mais graciosa. Com redundância em seu nome "adorna" com sua paz tudo aquilo que toca. Quem a escuta confunde tua voz com a de anjos. Fez parte do auge do Poesia Formada com os encantos de tuas palavras. Deixa saudades até hoje. Obra de destaque: Elogio da Palavra
Láquesis
Está numa procura de não se sabe o quê, numa estrada sabe-se lá onde, circular. É acometida por baixa-estima. No momento não conhece vastamente a literatura. Prefere o simbolismo, os sonetos Augusto-Anjianos, mas não dispensa o belíssimo lirismo de Fernando Pessoa. Aprecia Nitzsche acompanhado de uma boa música. Tenta escrever sonetos, cuja métrica é imperfeita. Um tanto dramática. Não deve ser uma companhia exatamente estimulante. Seu pecado favorito é a Gula, ama azeitonas. Obra de destaque: Neurofagia blog pessoal
Olhos de Girassol
Ou podes atender simplesmente por Tai, oculta sob o véu de viúva de uma Drama Queen, ou talvez presa pelas cordas de uma Puppet Girl. Ela é assim. E por mais que sua busca poética glorifique-se em uma tentativa de soar simplória como a sua própria natureza pedante, ela é a vontade máxima do cosmopolitismo poético segundo uma visão retrógrada – quase parnasiana. Tem raiva e desgosto de seus poemas sem métrica, portanto apega-se a ela e não larga nunca. Admira Augusto dos Anjos e Clarice Lispector, bem como as composições de Tuomas Holopainen; abomina Vinícius de Moraes e alguns contemporâneos da Bossa Nova. Fã de metalinguagem, de erotismo, não sabe fazer poemas de amor. E é feliz assim, ao seu modo. Obra de destaque: Olhos de Girassol Lema:"I weep to have what I fear to lose." e-mail: puppet-girl@bol.com.br
Quinta-feira, Abril 23, 2009
Poesia Mística
A longa madrugada escorrega faminta
com suas luzes de postes zumbintes
e o vento seco que arrasta a poeira.
Caminho esquálido pelos corredores
[de sombra]
ciente de que não estou sozinho
ele me dá vida
me sustenta
me acalenta
semente divina concedida aos mortais!
me dá ferro
proteína
sódio
gordura
energia
com ele tenho a força para dizer
venha, longa madrugada!
EU
SOBREVIVO!
com o amendoim.
Já tem ano.
Tem ano.
Ano.
Que.
Eu te amo.
Te amo.
Amo.
Eu.
Faço planos.
Há dias...Anos.
Feliz de nós.
Risos.
Nós. Sós.
Virá o dia.
Somente depois,
Tempo...
Sorrisos, beijos.
Semana, meses, anos,
Nossa vida.
União.
Amo, amo.
Nós nos amamos.
Quanto, em quantas vezes,
senti algo assim?
Uma redondilha,
tão pequena e fulgaz.
Por coisa de instante...
...Temporal Bruno. G. Fonseca
Quanto, e por quanto tempo,
algo assim me abateu?
Uma maior redondilha,
esta gigante sem fim,
que supera a eternidade.
São novas marcas poéticas.
cicatrizando dois versos.
Minha Quiméra voz ouço!
Está angústia, meu desgosto,
que raleia a atitude.
Uma palavra em vil verso,
me arruino, me decrevo,
ante ao próximo passo.
Sou eu de fronte ao penhasco.
Acordar, dar cor ao dia,
se real o sonho atenta,
embassa a visão esperta,
nas manhãs de tom pastel.
Caminhar, dizer: Bom dia!
Que nesse sonho te inventa,
ao olhar, e estar desperta.
A perfeição é um mito,
destes que existem nas páginas,
é uma errata, e tenho dito!
Rasguem todos os contratos!
Nasce com tanto esforço,
mais além do que imaginas.
E a artistas, não mais que esboço.
De Quimeras vozes: Ouçam!
São angústias, são desgostos,
raleando as atitudes.
Com palavras vís, sem verso,
que arruínam, que descrevem,
ante ao próximo passo.
És vós de fronte ao penhasco.
O esqueleto saí da tumba,
estala ossos e se apoia.
Pega chuva, vai a tundra,
antes que a turba o devore.
São todos desconfiados:
Leões, tigres, papagaios!
Da veracidade na história.
Quando uma centelha se reduz a fagulho,
nada desmorona, contudo se transforma.
Dizeres pequenos, tanto faz se me orgulho,
consomem somente espaço vago na norma.
Relatos da efemeridade Bruno G. Fonseca
Ainda que pudesse provar da verdade,
ou trouxesse do Saara a lótus mais bela.
O vazio igualaria à enfermidade,
da injustiça que fez merecer esta cela.
Vem de retalhos da qual a serenidade,
faz sangrias que não curam esta mazela.
Qualquer amor traz a descontinuidade,
vidas passadas em alguma outra viela.
Nada tem conseguido me fazer feliz,
contudo, o sorriso daquela menina,
traz-me consigo na memória, ser criança.
Triste vida! A lembrança de minha sina,
viveria no sentido da confiança.
Se não fosse somente, dor e cicatriz.
Quando não escuta d'uma paixão os gritos
Quando não lhe toca os sonetos mais bonitos
Pois já que meus prantos lhes são indiferentes
Cerro mágoas e lamentos entre os dentes
D'uma ilusão voltar aos belos momentos
Absinto e os fungos não são os intrumentos
Que sacia minha inexistencia permanente
e mesmo um botão de rosa é o suficiente
De Luvas, velas e vistas enamoradas
Perfumes, olhares. Um suspiro bastava
e era leve o roçar que provoca e acalma
As tão belas asas de sedas delicadas
Tecidas com tanto amor que não esperava
que se fizessem lâminas ferindo a alma
De que me vale este soldado manso,
que perde a sanha ao vislumbrar patente.
Na aflita imagem de teu rosto ranço,
o breve instante em que se fez valente.
Contempla pálido semblante e canso,
desta apatia que o fez doente.
Despoja a farda militar o ganso,
inda que tua covardia ostente.
Descansa em paz, ôh, meu infante raso,
nas turvas águas do futuro pardo,
do enredo rústico no qual te traço.
Na tentativa de fugir, teu fardo,
faz em teu medo; moradia e aço.
Engula as lágrimas no teu descaso.
Tu pensarias duas vezes antes de beija-la?
o mais certo é que breve instante fosse
o máximo tempo necessário para amá-la
do modo mais quente, intenso, tenro e doce.
Eu aguardei sem, no entanto, evitá-la...
Deixei que as divagações tomassem posse
guiando o sentir rumo à tão comum vala
das mãos trêmulas e da amarga tosse.
Hoje, quando para estrelas não olho mais
e paredes, bancos, postes, praças e muros
transformam-se na mais atenciosa platéia!
Amanhã, verei navios naufragos no cais,
sem içar velas para os castelos escuros,
rumo a terrores que ladeiam tal alcatéia!
Num jardim sem flores,
de diversos fluorescentes vaga-lumes,
decerto concreto era a Terra,
e com suas luzes, o brilho ofuscava,
o lamento indestrutível das estrelas.
Nada que se iguale ao espaço de nossos corações vazios.
Um dia apagarei a luz de meus olhos,
para ver o brilho das estrelas...
Acostume-se co'as lágrimas mais daninhas
por vislumbrar os domínios das secas vinhas
ou, quiçá, ricos palacetes tão vazios
mas que afundam-se nos lamacentos rios
De nada serve fuga às terras vizinhas
malgrado, o caminho é de vagas linhas
apenas verá campos de falseados cios
no descanso, só jazigos serão macios
Tome, pegue este vinho que te pertence
beba e aprecie tão singular horizonte
que foi pintado com requinte viceral
Não terá leito que seu esforço compense
Anda onde é cega a luz e seca a fonte
bailes, prantos, banquetes, rotina banal.
Não costumo escrever sobre teu belo,
Pois muito mais escrevo sobre o que zelo,
Não me importam teus pérfidos valores,
Tuas frígidas crenças, os teus penhores!
Essa tal Vida inócua dá-me asco,
Somos cadáveres presos num frasco,
Pessoas em horrenda conserva nos somos,
Comendo nossos próprios cromossomos!
Do Dito Deus, nada nós recebemos,
Dos oblíquos Anjos, nem proteção temos,
Abençoados apenas por Belzebú!
E para pôr o pé fora da porta,
De maneira nem bonita nem torta,
Nem para isso uma coragem tens tú!
Apago a luz, deito-te e retiro, sem pressa,
tua roupa, sentindo o aroma de cada peça,
d'um perfume que o delírio incrementa
por toques ousados a inspiração fomenta.
Minha mão a descobrir, cada parte acessa
um prazer incontrolável que nasce dessa
jornada pela carne já muito sedenta
d'uma boca que das delícias se alimenta.
Atentando-se ao sabor, aroma e textura,
a minha língua corre pelas reentrâncias,
deste corpo teu que é assaz saboroso!
Numa busca pelo êxtase que perdura,
misturamos infindos desejos e ânsias,
a deleitarmo-nos ao insaciável gozo!
Versos pela noite, por mais uma estadia.
Calor do sentimento pela moeda fria.
Não tenho mais sonhos mas versos ainda invento...
Poemas da paixão que tive por um momento.
Mas não restou-me qualquer que seja poesia!
Tanto faz qual a arte, ela apenas me entedia...
Somente das palavras meu parco sustento.
Deitando-me nunca nalgum mesmo aposento...
um olhar bem aberto a penumbra aguardada.
meu quarto de pousada, solitário é certo...
não se vê sequer perto a lâmpada queimada.
a parede mofada o criado-mudo aberto...
do piano o concerto, à frontal sacada,
a porta recostada o silêncio decerto.
Especializei-me naquilo que não sei,
discuto, mesmo o que ainda não aprendi.
Não faço questão alguma de fazer sentido,
muito menos almejo dar explicações.
Sim, não sou tanto quanto eu já desejei,
nem tento recuperar algo que perdi.
Acredito até que nunca fui bem-vindo,
não sei se justificaria minhas ações.
Sim, naquele pequeno instante vacilei,
e já esqueci-me do silêncio que pedi
Tenho pouco mais do que um segundo perdido,
e no som só tocam as mais velhas canções.
Amanheceu tarde hoje,
o passeio na madrugada.
O tudo, o nada.
Inventei um pretexto,
para fugir e dar no pé.
Covarde! Coragem!
Cacei no céu a noite,
três tiro na escuridão.
Talvez o perto, bem longe.
Acalentei no peito mágoas,
sonhos o avisam, pesadelos.
Da minha paz, fez-se a guerra.
Soldado Errante
Fugi de algo...
Tarde, amanhã,
chegarei lá,
cansado ofegante,
em fronteiras distantes,
muros e grades,
desse mundo de vidro,
parte destemido,
seguindo avante,
o combatido,
o infante.
Calo nos pés,
sangue nas mãos,
vontade na fé,
perdido o pulmão,
logo...Morto...
Percam-se versos,
labirintos de contextos,
mórbidos sonhos,
quebram em letras,
morrem ao punho,
na cova de um qualquer
onde impera a morte.
Calam-te sons,
por simples vaidade,
e agora por desunião,
formam-te palavras,
perdidas entre os versos,
vagam entre as árvores
distribuindo o eco na imensidão.
A minha adorável turba Bruno G. Fonseca/Lucas C. Lisboa
São risos e mais risos, todos sorridentes!
Calem-se! Não há porque estarem tão contentes.
Lágrimas e mais lágrimas, todos aos prantos!
Parem! Sabemos que entre nós já não há santos.
Loucuras e mais loucuras, todos dementes!
Aquietem-se! Os juizos estão ausentes.
São Vozes e mais vozes, em todos os cantos!
Falem! Me digam o porquê desses encantos.
Percam-se! Por entre essas vozes distorcidas.
Seres de almas vazias e pensamentos pequenos!
Razões iludidas, são homens vivos à postos.
Esqueçam-se! Destas aspirações tão decaídas.
Seres de sangue ralo e de sonhos amenos!
Ilusões perdidas, são homens apenas mortos.
As palavras bonitas e flores singelas
são tudo que tenho para lhe oferecer
pra provar-te, pulo muros, salto janelas
espalho doces versos que não irás esquecer
Trago lírios delicados e rosas belas
se acaso fosse de teu caro querer
até pintaria nas mais vivas aquarelas
só para um sorriso de teus labios nascer
apenas duas mãos e uma mente apaixonada
cruzo mares de morros, montanhas e montes
quebro ilusões, medos e delírios medonhos
pois simplesmente sei que és tu minha amada
juntos, em toda a arte, nós somos amantes
construo nosso castelo com pedras de sonhos
Orquestra da preciosa sinfônica Bruno G. Fonseca
Traços lineares da voz,
da mais pura melodia,
a leitura perfeita,
o toque do som.
A pura arte,
poesia,
no timbre,
tom.
!
Hoje, que já é de noite, não irei chorar
Não pensarei naqueles nossos belos sonhos
Sentarei-me à mesa de qualquer lugar
Um cálice de vinho e alguma mulher
Embriagar-me em alcool, enebriar-me em perfume
Neste mesmo leito que nós já nos deitamos
Não vou deixar escapar a pequena morte
O relógio corre números
Números que me obrigam a aceitá-los
Mas que não significam nada
E eles desmentem minhas idéias
De que corremos nessa vida
Achando que a próxima será melhor
Mas que próxima?
Que relógio voltará esse tempo?
E tantos números que não significam
Nada.
E tudo.E nada.E tudo.
Mas corro.
E quanto!E tanto!
Porque não posso
perder,e correr,correr
é o que faço para provar
que ganho do meu
Relógio.
Na noite que ele surgiu ninguém disse nada
As folhas ao vento, tanta gente parada
Sim, naquela noite ele realmente sorria
Ignoravam, os caminhos que ele seguia
Só quando a primeira colheita foi ceifada
Notaram que a bela face estava quebrada
Mesmo com todos os olhares que se via
e sem se darem conta a riqueza se esvaia
São poucos que se lembram das noites de outubro
Hoje são mudos os que aquela voz ouviram
tão cegos que se dispuseram a enterra-las
As paredes agora tingidas de rubro
são as únicas testemunhas que murmuram
aos poucos que hoje ainda prestam a escuta-las
Fito a negridão das estrelas congeladas,
Despedindo-me do luminoso crescente.
E desvanecem as faíscas destronadas,
Antevendo o despertar do dia latente.
Tua alma vagueia ligada pela prata
singrando rumo ao zênite que apolo visa.
Os silfos rodopiam dançando pela mata,
Árvores e insetos gemem ao som da brisa.
Suave teço um toque de orvalho na tela,
rompendo teu sono co'a sutil frialdade
Saudando a manhã com tua face que ri.
O céu azul explode através da janela,
numa profusão de luz e tenacidade
Enquanto entoo esta alegre canção à ti.
Brincadeira Bruno G. Fonseca
Brinco de viver e sorrir,
as coisas que me tem de fato,
são pra mim meu fardo.
As pessoas que um dia amarei,
não estão ao meu lado.
E ela, minha solidão,
será a mim de novo companhia.
-Não quero mais brincar!
Será a mim de novo companhia,
ela, minha solidão.
Não estão ao meu lado
as pessoas que um dia amarei.
São para mim meu fardo
as coisas que me tem de fato.
Brinco de viver e sorrir.
Aqui são três velas;
as folhas queimadas;
incenso consome;
janela aberta;
vinda do oxigênio;
fumaça respiro;
tinta distorcida;
em versos de fórmica;
ambiente descrito.
Uma paixão sem tino,
deste amor que acabou.
Tu foste do destino,
a rosa que faltou.
Mandar Flores Bruno G. Fonseca
Em versos,
em dores,
em desejos,
em amores.
Flores!
Distorção Bruno G. Fonseca
Ver flores,
mandei-as.
Flores mortas,
muchas.
Presente dócil,
dócil presente.
Espinhos ferem...
Sangue...
Seiva...
E planta
a vida.
Meu sangue,
sangue meu.
Teu corpo,
corpo meu...
Meça as suas palavras. Sejam elas
tão sensatas, tão justas e tão belas
que pesadas, medidas, pressuponha,
espalhadas a todos, no infinito:
não se arrependa nunca de as ter dito,
não sinta delas a menor vergonha.
Meça as suas palavras. Nunca as diga
nos momentos de raiva, nunca a intriga
saia da sua boca, pois que tudo
o que se diz, pensado ou impensado,
é contado, medido e bem pesado.
Seja sóbrio, discreto e, às vezes, mudo.
Se há virtudes nas frases delicadas,
nas palavras corretas, buriladas,
nas expresões de amor ou de prazer;
há muito mais virtude, com certeza,
nas que, tendo nascido da aspereza,
por prudência ficaram sem dizer...
Como o trabalhador que a terra lavra,
desempenhe a tarefa da palavra
com sublime e sincera devoção;
plante-a verdade, colha-a sentimento,
desça por ela ao Hades do tormento
e suba ao Céu da santificação.
Prenda a sua palavra, faça-a escrava,
pois tudo o que se fala aqui, se grava
no disco gigantesco do porvir...
E embora custe bem para aprender,
veja, é melhor querer e não dizer
que não querer e precisar ouvir!
Salve a palavra imaterial - a idéia -
abelha que trabalha na colméia
da mente e laboriosa faz o mel,
vai às flores num doce encantamento,
trá-las em sua essência - o pensamento -
e fá-las alimento, no papel.
Sofredora imortal... Santo edifícil
que tem por alicerce o sacrifício
e tem por teto a floração da luz...
Pela tua grandeza verdadeira
Sorveto - foi queimado na fogeira
e Jesus Cristo - padeceu na cruz.
Cismadora eternal - ondas inquietas
a marulhar na mente dos poetas
numa auréola de anseio e de esperança...
Se o sonho a cria, a realidade tece-a;
Byron - sonha lutando pela Grécia,
Hugo - luta sonhando pela França.
Sonho, entre devaneios e ilusões
com o dia em que irei te encontrar
Grito, o desejo quebra os grilhões
esta trilha de prata devo trilhar
Sigo as estrelas em seus caminhos,
sigo sua face em meus carinhos,
sigo o sol em sua dura caminhada,
sigo teus olhos, os olhos da amada
Ó Columbina, onde te escondeste?
ó adorada, que belo sorriso é este?
Inamorata, que presentes escondes de mim?
Quando acaba a busca, a busca do Arlequim?
Nasce das cinzas, Iago S. O. Pereira
Uma nova ilusão surge perante meus olhos
Maya, ocaso da vida, só se faz por me enganar
Sou o que mostro ou o que penso, secreto?
Esperança de viver eu não guardo mais
Raios azulados destruam o corpo escreto!
Deste pesadelo não acordarei jamais
Então deixe as trevas carcomer meu cadáver
Tire de meu sangue a luz da alvorada
Rasgue minha carne e icinere minha amada
Este par de noites farei por nascer
Voe, filho meu, rumo a um novo amanhecer!
Asas negras em combustão, saltando do pó
Saiba que esta é sua criação, estuprada sem dó!
Ao escrever versos soltos
nas orelhas dos cadernos
em rasgos de guardanapos
Dá-me prazer, faz-me bem
É uma faxina mental
discorrer em devaneios
Expressando meus desejos
Quando penso em poesia
Até sinto que me esqueço
Deste momento sublime
Que me diz respeito ser,
O instante de nirvana,
Do pensamento que tive
O meu conceito de pensar
São Paulo na pele
São Paulo nos nervos
São Paulo no coração...
São Paulo cidade minha
desafiando os administradores,
crescendo vertiginosamente.
Bandeira de fumaça que o vento enfuma
Clarim das sirenas de carros aflitos,
milhares de risos,
milhares de gritos,
coral dissonante de vozes inquietas...
A prece...
o soluço...
buzinas perdidas...
e o baixo profundo do imenso avião
São Paulo poema,
São Paulo problema,
São Paulo dilema,
São Paulo canção.
Nesta manhã clara de tua infância
te cantarei um hino,
nesta antevéspera do teu delírio
te falarei de ternura
Nesta hora de luta
te cantarei uma canção -
porque me embalas com teu canto,
porque me animas com teu grito,
porque me tomas pela mão.
São Paulo poema,
São Paulo problema,
São Paulo dilema
São Paulo canção.
ir Bruno G. Fonseca
Quem te dá a mão ao cair?
e lhe protege, a ajudar a resistir...
Porque deixa-lo partir,
não o deseja? Pra que despedir?
Aos lábios lhe retorna o sorrir,
tanto viveram; se foi...ir-rir!
Ele sumiu, não deixou qualquer vestígio.
Nenhuma carta de despedida.
Nenhum indicador de seu novo paradeiro.
Creio que não mais retornará
e acredito que tanto faz
se foi por vontade própria
ou devido à pressões alheias.
Mas não seria de se estranhar
se chegasse até aqui,
por meios comuns ou não,
uma carta de versos
ou uma prosa surrealista.
Seria como se ele dissesse que está bem,
à sua própria maneira,claro,
bem mais feliz em sua nova morada,
afinal deixou tantos pezares
e milhares de cobranças para trás..
Novo Poema Bruno G. Fonseca
Céu de verão,
noite estrelada,
o vento, o nada.
Tudo, é tempestade.
Aos poucos, o pouco,
se multiplica.
E tudo, contudo,
fica vazio.
Sabe-se triste,
que a tristeza
traz felicidade.
Feliz, sua dor
nem sempre é curada;
porém superada.
Do chão, levanto-me
a teus pés.
Humilhar-me
já não é tão raro.
Raro é ser comum,
não sou mais um,
nem sou ninguém;
e sei, por mim;
que só você me vê
feliz de verdade.
Contento-me
em tua decepção,
nem por isso
lhe odeio,
amo-te de coração,
e nunca de ti
espero perdão,
sabes que erro...
Tudo é tão perto que vejo de olhos fechados
Nada é tão longe que minhas mãos não alcancem
Ainda não é necessário optar entre escolhas
Resta tempo até para dormir esta noite
Translação Lucas C. Lisboa
Em algum segundo
Espera nenhum momento
Sendo um mesmo mundo
do Desejo Lucas C. Lisboa
Eu queria ter o poder
de poder esquecer-me
de não mais recordar-me
dos momentos de querer
Passos no crepúsuclo Iago Soares Otoni Pereira
Ouço passos proibidos
estalando ao meu redor
um arrastar de correntes
um gargalhar no crepúsuclo
(certeza de ser fitado)
são esferas flamejantes,
d'uma era há muito passada
O sol vermelho sorri
um sorriso interminável
de inefável zombaria
massacrando meu sonhar
me lembrando sempre, sempre
destes olhos chamuscantes
que fitei na eternidade
d'uns esparsos momentos
em que digo que vivi
Então simplesmente acordo
(certeza de ser fitado)
pra viver meu pesadelo
meu sofrer cotidiano
numa noite sem estrelas,
sem o sol pra iluminar
aquele canto sombrio
de voracidade estéril
eterno a me devorar
Então teço, escarlate
pra ti uma serenata
espero que ouça, meu sol
com toda a sua atenção;
o réquiem que dedos de ossos
dedilham em meu piano
nessas teclas de marfim
Sei que estou só, com a música
(certeza de ser fitado);
passo os olhos num suspiro
nesta grande cerejeira
procurando pelas flores
levadas pela enxurrada
e a cadeira de balanço
range ao se mover sozinha
até que os ecos s'espalhem
pelo vasto anoitecer
até desaparecer.
Tu estás sugando toda esta minha energia
Cobrindo-me nessas lágrimas de cristal
Não vou beber deste vinho que me faz mal
Nos teus olhos não mais há o brilho da alegria
Entre nós morreu todo o brilho que se via
Jogou-me a uma tumba de grades de metal
Teu beijo já tornou-se um veneno mortal
Sufocou nossa beleza que ainda existia
Esse teu toque quente em mim já se perdeu
Se findou e apenas resta em tuas mãos a frieza
Por ti o meu canto de sonho se calou
São só lembranças mortas o que tu viveu
Creio que ainda consegue enxergar essa tristeza
Assim tu com o nosso existir acabou
Ah!
Se pudesse eu guardar as guerras para depois,
esperando o tempo parar, e viver sem tempo;
sem esperar.
Se pudesse eu guardar as mortes de antes,
e viver o agora, neste momento suspenso ao ar;
e esperar...
Se pudesse eu guardar o amor para agora,
e gozar da vida em um momento único, inesperado;
esperar?
A Libélula e a Mariposa Iago S. O. Pereira
Você não me entende, libélula
embora busquemos a mesma luz
embora dancemos sobre o mesmo açude de águas paradas...
Somos diferentes, libélula
Meus sonhos mal se distinguem no lodo
enquanto os seus pulsam vivos com a luz do sol.
embora nossas asas sejam igualmente frágeis
as minhas estão presas no barro de que somos feitos
já são parte deste pântano verde e cheio de musgo.
Somos diferentes, libélula.
Voo rumo a um fogo fátuo,
funesto habitante do brejo que é minha vida
Enquanto você voa rumo a lua,
que embora esteja distante como o fundo do lago
é sonho tangível e de existência duradoura
uma grande rocha a flutuar na noite.
Eu me visto de escuro e me escondo na sombra
me escondo em meu medo e minha vergonha
você se veste de sol, de íris, de canto
de cores e esperanças (pra mim há tanto perdidas...)
Libélula, fuja enquanto pode
Porque minhas negras asas podem te enganar
o vácuo parasita suga-me no dia a dia
em um espiral de caos e tristeza,
rumo a negridão de minha alma
rumo a sombra da noite...
fuja enquanto está sã, libélula
a lua ainda repousa no céu
enquanto me consumo junto a chama dos mortos.
Chão, parede, teto.
Cama, criado, mesa.
-Que mundo!
Ah! da vida
que vi perder!
Corredor, sala, quarto.
Janela, vidro, parapeito.
-Que tempo!
Ah! das dores
que vi ceder!
Perdi amigos.
Cedi amigos.
De longe,
o caminho distante.
Na chegada,
o alivio imediato.
No escuro,
na minha cama,
pensamentos,
de uma outra vida,
em um outro quarto.
Sentimento Comum Bruno G. Fonseca/Lucas C. Lisboa
Um dia saberás, minha cara amiga,
a amizade é só uma forma de amor,
e poderás, ai, sentir falta disso,
e um dia viver por mim igual dor.
Espero, não tarde, percebas isto.
E a mim de todo perdida não venha,
não lhe darei sequer mais uma lágrima.
Deixes de ser amarga,
não és flor.
Teu aroma de rosa
não me engana.
Já foste preciosa,
minha cara.
Teu brilho de ouro...
O ouro,
tolo da mais falsa pirita.
Tua prata engana a espada,
e teu sangue...
Não! Não é seiva,
não és rosa,
não foste flor!
negro, negro
o entardecer devorou o mundo.
não há mais grito e zombaria
nos campos uma vez floridos.
negro, negro
um dragão engoliu a lua.
seu bafo escureceu os céus
inflamou o terror nos homens.
negro, negro
proliferam mudos morcegos
a deformar os que restaram
nesta planíce agora infértil.
negro, negro
um infindável pesadelo
de noites não mais estreladas
em um oceano de cinzas.
Soldado Errante Bruno G. Fonseca
Fugi de algo...
Tarde, amanhã,
chegarei lá,
cansado ofegante,
em fronteiras distantes,
muros e grades,
desse mundo de vidro,
parte destemido,
seguindo avante,
o combatido,
o infante.
Calo nos pés,
sangue nas mãos,
vontade na fé,
perdido o pulmão,
logo...Morto...
Ambos seguramos à pena ao papel
Eu que escrevo rimas e teço esses versos
Já tu que retratas o desejo e a beleza
Numa mesma essência deste mais puro fel
Ambos sonhamos com um novíssimo céu
Eu perdido em pensamentos e devaneios
Tu que me esperas nesse pitoresco luar
Em tua boca o gosto do chocolate e mel
Um beijo de arte noveau escrito e delineado
Eu escrevo-te esses poemas de todo eróticos
Tu em cada traço nos mostra um caminho
Um toque nosso ao surrealismo alemão
Eu componho em palavras uma ode ao amor
Tu ao redor desenha aquele que nos une
Isso é Justo? Bruno G. Fonseca
Vejo veteranos voar pelos céus,
pássaros novos cairem de lá,
sei ladrões para o banco dos réus,
os culpados nunca vão para lá.
Justiça seja feita,
eles sabem demais,
forjam esquemas,
e lhe enganam, Justiça.
Parados!
"Esqueceram a grana";
dizem juizes a seus convidados,
parceiros, agora, do bem, o mal.
"Toda vez que um justo grita,
um carrasco o vem calar,
quem nao presta fica vivo,
e quem é bom mandam matar "
Cecília Meireles, "O Justo"
Mural
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