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Arlequim
O estereótipo do sonhador solitário, olhando as estrelas com um olhar plácido mas nada sereno. Sua poesia não segue exatamente um padrão, alternando entre um modernismo incontido, um simbolismo pé-no-chão com traços excessivos de romantismo-segunda-geração. Facilmente se percebe que é um ser teimoso e que tem prazer em contradizer os outros ou a si mesmo. Não gosta de suas própias poesias. Não nasceu para ser poeta. Escreve um poema a cada dois meses.
Obra de destaque:
Passos no crepúsculo
Lema: "I shall not confront Planet as an enemy, But shall accept its mysteries as gifts to be cherished, Nor shall I cruelly seek to peel the layers away like the skin from an onion, Instead I shall gather them together, as the tree gathers the breeze, The wind shall blow and I shall bend, The sky shall open... and I shall drink my fill..." Lady Deirdre Skye, Gaian's acolyte prayer.

blog pessoal
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e-mail:
iago.pe@bol.com.br

0Infante

Dotado de uma atenção extremamente volúvel e de uma tendência para engrandecer casos ao ponto de parecerem uma grande mentira. Tem na poesia a dualidade de pensamento e ação, admirador do jogo de palavras e ritmo. É, contraditoriamente romântico. Vive do passado, e de certa maneira se orgulha disso. Sua máscara é a felicidade, parece ser simplesmente impossivel vê-lo triste, e mesmo que estes sorrisos não sejam falsos, raramente traduz a sua felicidade interior, ainda assim peca pelo otimismo excessivo.
Obra de destaque:
Meu espelho militar
Lema: "Pense em tudo, mas pense curto".

blog pessoal
e-mail:
eng_haw@hotmail.com


Poetizaram por aqui:


Shin´an Anklet
Tão bela quanto as poesias que escreve, fez das palavras sua arte. É uma menina meiga e por vezes confusa, mas muito coeza quando tenta descrever o que sente, estima sua fé e crença e isso torna sua vida mais graciosa. Com redundância em seu nome "adorna" com sua paz tudo aquilo que toca. Quem a escuta confunde tua voz com a de anjos. Fez parte do auge do Poesia Formada com os encantos de tuas palavras. Deixa saudades até hoje.
Obra de destaque:
Elogio da Palavra

Láquesis
Está numa procura de não se sabe o quê, numa estrada sabe-se lá onde, circular. É acometida por baixa-estima. No momento não conhece vastamente a literatura. Prefere o simbolismo, os sonetos Augusto-Anjianos, mas não dispensa o belíssimo lirismo de Fernando Pessoa. Aprecia Nitzsche acompanhado de uma boa música. Tenta escrever sonetos, cuja métrica é imperfeita. Um tanto dramática. Não deve ser uma companhia exatamente estimulante. Seu pecado favorito é a Gula, ama azeitonas.
Obra de destaque:
Neurofagia
blog pessoal

Olhos de Girassol
Ou podes atender simplesmente por Tai, oculta sob o véu de viúva de uma Drama Queen, ou talvez presa pelas cordas de uma Puppet Girl. Ela é assim. E por mais que sua busca poética glorifique-se em uma tentativa de soar simplória como a sua própria natureza pedante, ela é a vontade máxima do cosmopolitismo poético segundo uma visão retrógrada – quase parnasiana. Tem raiva e desgosto de seus poemas sem métrica, portanto apega-se a ela e não larga nunca. Admira Augusto dos Anjos e Clarice Lispector, bem como as composições de Tuomas Holopainen; abomina Vinícius de Moraes e alguns contemporâneos da Bossa Nova. Fã de metalinguagem, de erotismo, não sabe fazer poemas de amor. E é feliz assim, ao seu modo.
Obra de destaque:
Olhos de Girassol
Lema:"I weep to have what I fear to lose."
e-mail:
puppet-girl@bol.com.br


Quinta-feira, Abril 23, 2009

Poesia Mística

A longa madrugada escorrega faminta
com suas luzes de postes zumbintes
e o vento seco que arrasta a poeira.
Caminho esquálido pelos corredores
[de sombra]
ciente de que não estou sozinho
ele me dá vida
me sustenta
me acalenta
semente divina concedida aos mortais!
me dá ferro
proteína
sódio
gordura
energia
com ele tenho a força para dizer
venha, longa madrugada!
EU
SOBREVIVO!
com o amendoim.


Mr. Six às 17:23


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Sexta-feira, Junho 06, 2008

Dezembro/Dez (Juntos e sós)
Bruno G. Fonseca

Já tem ano.
Tem ano.
Ano.
Que.
Eu te amo.
Te amo.
Amo.

Eu.
Faço planos.
Há dias...Anos.
Feliz de nós.
Risos.
Nós. Sós.
Virá o dia.
Somente depois,
Tempo...
Sorrisos, beijos.
Semana, meses, anos,
Nossa vida.
União.
Amo, amo.
Nós nos amamos.


0Infante às 08:43


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Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

Æons do Infortúnio
Bruno G. Fonseca/Diego O. Marques

Ao vigor das chamas,
que há em meus olhos.
Crepitai, ôh, Caos,
o labéu dos céus.

Transitório tânato,
quase o fausto tange.
Suplicas em cólera,
ao efêmero atinge.

Livra ardil tua pele,
de teu próprio cerne.
Astutas falanges,
de vis legionários.

Æons do infortúnio...
Nos resta o progresso.
Do ímpeto algoz,
que beira o ordinário.

-Transitório...Tânato...Fausto...Tange


0Infante às 17:31


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Sábado, Novembro 17, 2007

(Memórias Curtas-II)

Haikai do Consumo
Bruno G. Fonseca

Por só serem teus,
ter estes sonhos comprados,
consomem os meus.


Haikai em Branco
Bruno G. Fonseca

Palavras sozinhas,
se não formam poemas,
não fazem sentido.


Haikai dos 2/3
Bruno G. Fonseca

Trabalhar o dobro,
pra sustentar a metade,
do nosso governo.


Haikai do Esforço Onírico
Bruno G. Fonseca

Trabalhar o dobro,
para viver a metade,
dos sonhos inteiros.


0Infante às 08:15


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Quarta-feira, Novembro 07, 2007

À Principio - Narrativa
(Sáfico II)
Bruno G. Fonseca

O que fará caindo a noite, primo?
Dormir não ouse, hoje o sono é leve!
Está na hora, acorda e tira o limo.
Não quero ver mais em teus olhos neve.

Lugar lhe falta?Nunca perca ânimo,
sentar-se ao lado dessa moça deve.
Teus entre olhares que soslaio estimo,
na menor curva em teu sorriso breve.

Somos família, eternamente íntimos,
tanto que narro a tua história e a dela.
Você a ama e está disposto à riscos.

Nessa abstrata diferença nela,
que mal há nisso? Só brigar por discos?
Esses retalhos são detalhes ínfimos.


0Infante às 15:40


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Sábado, Novembro 03, 2007

Quantificação...
Bruno G. Fonseca

Quanto, em quantas vezes,
senti algo assim?
Uma redondilha,
tão pequena e fulgaz.
Por coisa de instante...



...Temporal
Bruno. G. Fonseca

Quanto, e por quanto tempo,
algo assim me abateu?
Uma maior redondilha,
esta gigante sem fim,
que supera a eternidade.
São novas marcas poéticas.
cicatrizando dois versos.



0Infante às 19:25


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Quinta-feira, Outubro 11, 2007

Primeira do Singular
Bruno G. Fonseca

Minha Quiméra voz ouço!
Está angústia, meu desgosto,
que raleia a atitude.
Uma palavra em vil verso,
me arruino, me decrevo,
ante ao próximo passo.
Sou eu de fronte ao penhasco.



0Infante às 10:32


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Terça-feira, Outubro 02, 2007

A-Cor-Dar
Bruno G. Fonseca

Acordar, dar cor ao dia,
se real o sonho atenta,
embassa a visão esperta,
nas manhãs de tom pastel.
Caminhar, dizer: Bom dia!
Que nesse sonho te inventa,
ao olhar, e estar desperta.



0Infante às 01:53


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Segunda-feira, Setembro 17, 2007

Relatividade Artistica
Bruno G. Fonseca

A perfeição é um mito,
destes que existem nas páginas,
é uma errata, e tenho dito!
Rasguem todos os contratos!
Nasce com tanto esforço,
mais além do que imaginas.
E a artistas, não mais que esboço.


0Infante às 22:40


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Domingo, Setembro 02, 2007

Incentivo
Bruno G. Fonseca

De Quimeras vozes: Ouçam!
São angústias, são desgostos,
raleando as atitudes.
Com palavras vís, sem verso,
que arruínam, que descrevem,
ante ao próximo passo.
És vós de fronte ao penhasco.



0Infante às 11:45


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Sexta-feira, Agosto 10, 2007

Rotina
Bruno G. Fonseca

O esqueleto saí da tumba,
estala ossos e se apoia.
Pega chuva, vai a tundra,
antes que a turba o devore.
São todos desconfiados:
Leões, tigres, papagaios!
Da veracidade na história.



0Infante às 14:40


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Quarta-feira, Agosto 01, 2007

Equilibrio
Bruno G. Fonseca

Quando uma centelha se reduz a fagulho,
nada desmorona, contudo se transforma.
Dizeres pequenos, tanto faz se me orgulho,
consomem somente espaço vago na norma.


0Infante às 18:34


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Quarta-feira, Junho 20, 2007

Poesia Formada
(Heróico I)
Bruno G. da Fonseca

As rimas são exemplos tão dispersos,
correm passos distantes à caminho!
Inventando piada com diversos,
sonetos! Eu também rio sozinho.

Em ciclos, os desejos vêm imersos,
quando o sonho é distante de pertinho.
Por tentar entender, faço estes versos,
são palavras despidas de carinho.

Sei que não passará de um sonho afinco,
por traduzir relatos do que minto,
ao já dito ser verso e só! Mais nada...

Libertando um sentido inda distinto,
parte desse poema uma enseada.
Se, estrofes totais, passarem de cinco.


0Infante às 23:37


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Quinta-feira, Abril 06, 2006

Relatos da efemeridade
Bruno G. Fonseca

Ainda que pudesse provar da verdade,
ou trouxesse do Saara a lótus mais bela.
O vazio igualaria à enfermidade,
da injustiça que fez merecer esta cela.

Vem de retalhos da qual a serenidade,
faz sangrias que não curam esta mazela.
Qualquer amor traz a descontinuidade,
vidas passadas em alguma outra viela.

Nada tem conseguido me fazer feliz,
contudo, o sorriso daquela menina,
traz-me consigo na memória, ser criança.

Triste vida! A lembrança de minha sina,
viveria no sentido da confiança.
Se não fosse somente, dor e cicatriz.


0Infante às 16:25


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Segunda-feira, Abril 03, 2006

Sensitive Criminals
Iago S. O. Pereira

Deixo Edith em seu apartamento,
em carteado com reminescências;
no embarque do taxi preto lamento
o triste degradar das aparências.

Oito décadas fizeram-se pó
na louca pira que nos uniria.
Em chamas flutua um corpo só
no velho Ganges e sua magia.

Braços abertos saudando o poente!
Em sua pele seca e rugosa
vejo o auror d'uma jovem donzela.

Seja o ácido que faz-me demente,
mas a mim sempre soarás vistosa;
a virgem tântrica que o tempo sela.


Mr. Six às 12:17


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Terça-feira, Julho 19, 2005

Suspiro
Lucas C. Lisboa

Quando não escuta d'uma paixão os gritos
Quando não lhe toca os sonetos mais bonitos
Pois já que meus prantos lhes são indiferentes
Cerro mágoas e lamentos entre os dentes

D'uma ilusão voltar aos belos momentos
Absinto e os fungos não são os intrumentos
Que sacia minha inexistencia permanente
e mesmo um botão de rosa é o suficiente

De Luvas, velas e vistas enamoradas
Perfumes, olhares. Um suspiro bastava
e era leve o roçar que provoca e acalma

As tão belas asas de sedas delicadas
Tecidas com tanto amor que não esperava
que se fizessem lâminas ferindo a alma


Sr. Personna às 17:46


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Quarta-feira, Junho 15, 2005

Auto-Estima
Bruno G. Fonseca

Meus versos se foram,
se defez em formas.
Frases se demoram,
em fases e normas.

Meus versos menores,
destas redondilhas.
São sempre as piores,
de sua familia.


0Infante às 10:51


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Sexta-feira, Maio 06, 2005

(Sem Título)
Bruno G. Fonseca

A chama de quatro dias eternos,
se esvai no frio pálido da noite.
Em dois dias de suaves venenos,
as novas feridas ardem ao açoite.

Duas vezes foram suficientes,
para se saber o resto da história.
É minha vontade inda incadescente;
Desejo que superou a memória.


0Infante às 00:06


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Segunda-feira, Maio 02, 2005

Lente de aumento
Lucas C. Lisboa

Uma gargalhada,
trancada por dentes podres,
apenas suspira.


Candelabro de ouro
Lucas C. Lisboa

Meu adeus à vela que se consome
para iluminar aqueles mais cegos
e alimentando uma sangüínea fome
por deixar-se às cruzes e aos pregos

Duma luz não-refletida que some
sendo engolida pelos mais vis egos
ao permitir que tudo seu se tome
finda apagada por alheios aspergos

Lestes romances pela madrugada
E lindos épicos em narrativa

Acompanhou muitos ébrios velada
Em uma alegria de essência altiva

Agora caminhas ao ocaso calada
Renegando tudo que lhe faz viva


Sr. Personna às 10:18


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Quinta-feira, Março 31, 2005

Meu Espelho Militar
(Sáfico I)
Bruno G. Fonseca

De que me vale este soldado manso,
que perde a sanha ao vislumbrar patente.
Na aflita imagem de teu rosto ranço,
o breve instante em que se fez valente.

Contempla pálido semblante e canso,
desta apatia que o fez doente.
Despoja a farda militar o ganso,
inda que tua covardia ostente.

Descansa em paz, ôh, meu infante raso,
nas turvas águas do futuro pardo,
do enredo rústico no qual te traço.

Na tentativa de fugir, teu fardo,
faz em teu medo; moradia e aço.
Engula as lágrimas no teu descaso.


0Infante às 11:15


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Terça-feira, Março 15, 2005

Como já não me resta o paladar...
Lucas C. Lisboa

Eu sou o dedo médio do protesto.
A mais vil criatura do manifesto!
Do gosto mais vermelho sou amante!
Do sabor mais claro sou puro infante...

Para ineficácia do mal eu presto;
e dos campos recolho qualquer resto.
Sem perdurar mais que um negro instante...
Alcançando profundezas e avante!

Venho por entre os pincéis de luz,
por navios anis ao atracador;
carga pesada esqueleto-motor!

Copos com o amargo do ponto-cruz.
Esses vinhos cuja tão bela cor,
passam para ser do quente sabor!


Sr. Personna às 20:28


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Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005

Vivo ou não o meu segundo?
Bruno G. Fonseca

Fulgaz amor é a raiva,
das palavras que sempre contive,
e que no longe se perdem ao descaso.

Será o calor dessa vela,
aquela minha amargura ainda escondida,
pelo terror destas cinzas que apago.

Voará meu explendor pelo oceano,
seguindo a fada em meu canto isolada,
ao branco infinito do assoalho.


0Infante às 17:21


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Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005

(Sem Título)
Bruno G. Fonseca

Estima-me com cuidado,
as farpas que ela me trouxe,
ou me traindo que fosse
fez de um pobre o maltratado

Tira-me dum fundo poço,
das lágrimas que se fez,
enrugando a pele tez,
fez da carne puro osso.

Cubra-me com este fogo,
dessas lembranças que tive,
nos destroços que vive,
fez no mimar do afago.

São pedidos que te faço,
musa de meu entrelaço,
eu me deixo ao teu cuidado,
faz de feliz um coitado.


0Infante às 23:48


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Terça-feira, Fevereiro 01, 2005

Brasa que não mais queima
Lucas C. Lisboa

Tu pensarias duas vezes antes de beija-la?
o mais certo é que breve instante fosse
o máximo tempo necessário para amá-la
do modo mais quente, intenso, tenro e doce.

Eu aguardei sem, no entanto, evitá-la...
Deixei que as divagações tomassem posse
guiando o sentir rumo à tão comum vala
das mãos trêmulas e da amarga tosse.

Hoje, quando para estrelas não olho mais
e paredes, bancos, postes, praças e muros
transformam-se na mais atenciosa platéia!

Amanhã, verei navios naufragos no cais,
sem içar velas para os castelos escuros,
rumo a terrores que ladeiam tal alcatéia!


Sr. Personna às 17:35


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Terça-feira, Janeiro 18, 2005

Dizia meus Olhos
Bruno G. Fonseca

Num jardim sem flores,
de diversos fluorescentes vaga-lumes,
decerto concreto era a Terra,
e com suas luzes, o brilho ofuscava,
o lamento indestrutível das estrelas.
Nada que se iguale ao espaço de nossos corações vazios.

Um dia apagarei a luz de meus olhos,
para ver o brilho das estrelas...



0Infante às 11:25


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Quarta-feira, Janeiro 05, 2005

Por uma alma tão nobre
Lucas C. Lisboa

Acostume-se co'as lágrimas mais daninhas
por vislumbrar os domínios das secas vinhas
ou, quiçá, ricos palacetes tão vazios
mas que afundam-se nos lamacentos rios

De nada serve fuga às terras vizinhas
malgrado, o caminho é de vagas linhas
apenas verá campos de falseados cios
no descanso, só jazigos serão macios

Tome, pegue este vinho que te pertence
beba e aprecie tão singular horizonte
que foi pintado com requinte viceral

Não terá leito que seu esforço compense
Anda onde é cega a luz e seca a fonte
bailes, prantos, banquetes, rotina banal.


Sr. Personna às 12:01


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Quinta-feira, Dezembro 09, 2004

Tarde de verão
Lucas C. Lisboa

Efebo de Cachos negros e macios.
Ninfa desnuda banha-se aos Rios.
companhias de muitíssimas graças,
após o bosque de apreciadas caças...

Flores e flautas aos vivos Estios,
Carícias com cuidados e brios,
Frutos suclentos, divinas massas...
do odre tão raro serve-se três taças.

Doçuras do hálito juvenil,
aos lábios tal Zéfiro em sua Brisa,
que como o Sumo de Baco inebria.

dos belos corpos são calores mil,
deitados à Relva macia tal bisa,
afinal, cada taça está vazia.


Sr. Personna às 11:26


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Domingo, Novembro 28, 2004

Sem Título
Lorena Pereira

Não costumo escrever sobre teu belo,
Pois muito mais escrevo sobre o que zelo,
Não me importam teus pérfidos valores,
Tuas frígidas crenças, os teus penhores!

Essa tal Vida inócua dá-me asco,
Somos cadáveres presos num frasco,
Pessoas em horrenda conserva nos somos,
Comendo nossos próprios cromossomos!

Do Dito Deus, nada nós recebemos,
Dos oblíquos Anjos, nem proteção temos,
Abençoados apenas por Belzebú!

E para pôr o pé fora da porta,
De maneira nem bonita nem torta,
Nem para isso uma coragem tens tú!


Borboleta às 12:18


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Sexta-feira, Novembro 19, 2004

A minha vaidade como Poeta
Lucas C. Lisboa

Pedir desculpas por minha existência?
uma bela tragi-comicidade!
até, quem sabe, sinal de demência!
do artista da mais pura vaidade...

Meus versos desconhecem inocência,
cheios de ironia e de verdade.
Minhas palavras exalam dolência,
brindo toda sorte de qualidade!

Gosto de estranho ser em qualquer meio...
Arte em frases é matéria que esculpo!
e erros meus ou de outrem não desculpo.

Pouco importa qualquer desejo alheio.
eu por prazer, dos verbos feios abuso!
pois, para mim, torno belos ao uso!


Sr. Personna às 13:31


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Sexta-feira, Novembro 12, 2004

Noite de Frio
Bruno G. Fonseca

Era noite, e fazia frio,
era um frio de viva-alma.

Era noite, e fazia frio,
era um frio de viva-dormência.

Era noite, e fazia frio,
era um frio de viva-dor.

Era noite, e fazia frio,
era um frio de viva-vida-própria.

Era noite, e fazia frio,
e o frio...o frio; me fazia vivo.


0Infante às 14:47


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Quarta-feira, Novembro 03, 2004

Cicatriz
Tainã Nalon

Divertias minha calma ferida,
Amálgama carne que me bebia,
Que me fatigava, que me metia
Um corte d'alma e exultava na ida

Ao orgasmo dentro da minha ermida,
Entre as pernas e a poesia.
Tua língua amarga que me invadia,
Maltratava e me dizia querida.

Mas, agora, não mais arriscarei
Minha alma, não mais sentirei dor.
E me entrego, pois não esquecerei

Daquelas tuas mentiras d'amor.
Dou-te e esqueço as aspirações eternas,
Quando te aq'ceres entre minhas pernas.


Olhos de Girassol às 11:37


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Quinta-feira, Outubro 28, 2004

Teosofia
Lucas C. Lisboa

O prazer cálido do tecnicismo
vem d'alguma dulcíssima vontade
de se caminhar à passos do abismo
e ser espelho da bela vaidade

A rezar aos deuses do cristianismo,
cegueira que circunscreve a verdade,
sem medo de Buda e do satanismo
por onde anda o rechonchudo abade?

Ser agnóstico, laico ou ateu.
é um escolher puramente meu
das tradições tão livres de mesuras

Mesmo que sejam pensares senis
é ter fé em deuses mais sutis
velas que lançam luzes muito escuras



Sr. Personna às 13:55


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Terça-feira, Outubro 19, 2004

A Fogueira das Vaidades
Bruno G. Fonseca

Despeço-me de minh'alma,
roendo ossos duma vida.
Faz caveiras, as vaidades.

Luto por outra Cruz-de-malta,
na ânsia crua e despida.
No mar, diversas cidades.

Afea-me tua falta,
amargura resumida.
No gozo, promiscuidades.

Esvaece minha calma,
pela inocencia perdida.
Faz tristezas, as verdades.


0Infante às 14:48


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Quinta-feira, Outubro 07, 2004

D'ouro
Lucas C. Lisboa

Apago a luz, deito-te e retiro, sem pressa,
tua roupa, sentindo o aroma de cada peça,
d'um perfume que o delírio incrementa
por toques ousados a inspiração fomenta.

Minha mão a descobrir, cada parte acessa
um prazer incontrolável que nasce dessa
jornada pela carne já muito sedenta
d'uma boca que das delícias se alimenta.

Atentando-se ao sabor, aroma e textura,
a minha língua corre pelas reentrâncias,
deste corpo teu que é assaz saboroso!

Numa busca pelo êxtase que perdura,
misturamos infindos desejos e ânsias,
a deleitarmo-nos ao insaciável gozo!


Sr. Personna às 15:48


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Domingo, Outubro 03, 2004

(Memórias Curtas-I)

A rima perfeita
Bruno G. Fonseca

O que rimará com lágrima?
O frio da tristeza,
os espasmos da agonia,
os espinhos de uma rosa;
dor?
-Lástima.


do Poema não escrito
Bruno G. Fonseca

Aqui, nesse caderno, guardei aquele verso,
aquele...que a minha pena não quis escrever,
aflito na mente, e descontente em meus casos.


do Momento
Bruno G. Fonseca

Será o agora, obra do acaso,
e é minha verdade insana,
perder-me em teus laços.


da Possibilidade
Bruno G. Fonseca

Eu não tiro a possibilidade de ser,
só não acredito que realmente tenha de existir,
será que deu pra entender?


haikai da Possibilidade
Bruno G. Fonseca

Possível não ser,
é, tampouco existir,
deu pra entender?


haikai da Liberdade.
Bruno G. Fonseca

Não quis me perder
e outras regras sem leis
restou-me romper.


haikai da Chance perdida
Bruno G. Fonseca

Olhou para mim,
a minha estrela cadente.
Partiu sem pedidos...


Trinta de setembro(30/09)
Bruno G. Fonseca

Ôh, triste alegria...
a data firmada,
d'antes agonia,
parabéns amada,
e adeus fantasia...


0Infante às 12:07


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Quinta-feira, Setembro 30, 2004

Olhos de Girassol
Tainã Nalon

Incessante, procuro uma saída
Para os infernos da trilha que sigo,
Adentrando no meu próprio vertigo -
Meu transe -, pelos meus olhos, traída...

Pela bruma mal enxergo o perigo
Dos espinhos dessa rosa caída,
Do veneno de sua sépala erguida -
São nos seus jardins que procuro abrigo.

... Mas se é tudo pela névoa oculto,
Se o dia se faz de sombra, esse vulto,
Como os meus olhos iriam notar?

Meus olhos de girassol, minha prece,
Contra tudo que a morte oferece -
É dia, mas não consigo enxergar...


Olhos de Girassol às 11:57


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Segunda-feira, Setembro 27, 2004

Morada
Lucas C.Lisboa

As quatro paredes,
lisas,alvas, brancas
límpidas, tão nuas.

Servem de moldura
para este meu quarto,
vago de mobília.

Alguns cobertores,
jogados ao chão,
servem como cama.

Com uma caneta
e só mais dois lápis,
faço companhia.

Quando estou vazio:
dialogo com tinta,
respondo em versos

Apenas escrevo,
sem qualquer receio
ou algum papel.

Há mais aposentos,
nesta minha casa:
sacada e varanda.

Mais quartos e salas,
porém já manchados,
de tinta e grafite.

Há móveis, são muitos,
mesas e tapetes,
são vários entalhes.

Poeira e ranhuras,
daquele outro lado
desta velha porta.


Sr. Personna às 16:58


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Sexta-feira, Setembro 24, 2004

Alegoria da espada
Bruno G. Fonseca/Lucas C. Lisboa

Flameja algoz o orgulho destemido,
homens e exércitos, fazem sua caça.
Desta coragem tú foste provido,
em martelo, escudo, espada e couraça.

O instinto desse meu héroi caído,
tem teu ego tomado pela traça.
Teu ímpio desejo fora rompido,
ainda prossigas pela honra escassa

És tu que pesadamente caminhas,
sobre as cinzas de tantas cidadelas,
donde só se escuta ecos dos horrores.

Há abismos e céus para perdê-las,
paraíso distorcido sem flores.
Guiou almas pródigas e daninhas.


0Infante às 01:00


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Segunda-feira, Setembro 20, 2004

O Tempo
Tainã Nalon

Roubaste de mim o veio infecundo,
Tato que se perdeu na sinergia
Dos pincéis, dos cinzéis, da poesia,
Dom meu que jaz solene, moribundo.

Tu roubaste toda a minha energia,
Todo o meu potencial oriundo
Da sofia iconoclasta deste mundo,
Dentro do ventre tosco da agonia.

Tomaste, tu, todas as minhas trovas
E enfiaste, errante, nas rasas covas,
Debaixo dos jardins do meu passado.

Enxergaste, Senhor Incoercível,
As margens intocadas do impossível:
O pégaso do meu aprendizado.


Olhos de Girassol às 23:57


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Sábado, Setembro 18, 2004

Alguma poética
Lucas C. Lisboa

Versos pela noite, por mais uma estadia.
Calor do sentimento pela moeda fria.
Não tenho mais sonhos mas versos ainda invento...
Poemas da paixão que tive por um momento.

Mas não restou-me qualquer que seja poesia!
Tanto faz qual a arte, ela apenas me entedia...
Somente das palavras meu parco sustento.
Deitando-me nunca nalgum mesmo aposento...

um olhar bem aberto a penumbra aguardada.
meu quarto de pousada, solitário é certo...
não se vê sequer perto a lâmpada queimada.

a parede mofada o criado-mudo aberto...
do piano o concerto, à frontal sacada,
a porta recostada o silêncio decerto.


Sr. Personna às 10:11


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Terça-feira, Setembro 14, 2004

Breve Obtuário
Bruno G. Fonseca

Calor,
vida.
Palidez...
Frio,
morte.

Lágrimas,
velório,
caixão,
lápide.

Flores,
terra,
flores.

Tempo...Midia...
Vida.

Esquecimento...Morte!


0Infante às 00:16


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Quinta-feira, Setembro 09, 2004

Fim de caso
Tainã Nalon

Quero entender a verdade do acaso
Para saber o que me faz tão forte -
Seja na força perpétua da morte,
Ou no nem tão doce fim desse caso.

E que me não seja um simples ocaso,
Que não me seja um prenúncio da sorte -
Em cima desta cicatriz, um corte,
Que não me seja tão simples, tão raso...

Eu queria uma elegia de paz,
Mas, diante d'um idílio improvável,
O meu passado tornou-se intocável.

O alívio não me faz menos ou mais:
Latente que seja essa minha dor
Não sei fazer poemas de amor...


Olhos de Girassol às 01:47


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Domingo, Setembro 05, 2004

Beyond the dark shore
Iago S. O. Pereira

As no angel heard my cry,
There's no choice left to try.
Plunge in nihilism and void
and thus fuse with the umbroid.


Deceitful dreams! On my wrath
forlorn hopes came to gloom.
Is too late to start from scratch
Time has come to leave the loom.

Getting across the last shore,
drawn by the bright magnet stars,
I explore forbidden lore
rising a prayer for Mars.

The crystal stream, endless flow
freezing my flesh from the deepness.
my body turns into a snow
doll, lying alone on the wilderness.

As no angel heard my cry,
There's no choice left to try.
Plunge in nihilism and void
and thus fuse with the umbroid.


Tradução tosca meio ao pé da letra:
(recomendo profundamente que leiam a versão original em inglês)

Além das areias negras
Iago S. O. Pereira

Como anjo nenhum ouviu meu lamento,
não me resta opção a tentar.
Me jogar em niilismo e vazies
e desta forma fundir-me aos umbróides...


Sonhos enganosos! Em minha fúria
últimas esperanças tiveram seu anoitecer.
É tarde demais pra recomeçar do zero
chegou a hora de deixar o tear.

Passando através da última praia,
levado pelas estrelas magnéticas,
exploro conhecimento proibido
fazendo uma oração a Marte.

O riacho de cristal, fluir interminável
das profundezas congelando a minha carne
meu corpo se torna um boneco
de neve, deixado solitário nos ermos.

Como anjo nenhum ouviu meu lamento,
não me resta opção a tentar.
Me jogar em niilismo e vazies
e desta forma fundir-me aos umbróides...


(em português perdeu completamente o encanto... sorry)


Mr. Six às 00:35


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Sábado, Agosto 28, 2004

Rosa Urbana
Lucas C. Lisboa

Segue o dia sequer ouço meus passos,
Por mais que ande por becos e avenidas.
Escondendo-me nos parcos espaços,
À procura das essencias perdidas.

Cuido de plantas e vazos escassos,
Eu as vejo aos cantos esquecidas.
E ainda as guardo, em pequeninos laços,
flores não de todo devanecidas...

Crescem sem o toque da mão humana.
e brota beleza do metal frio.
vida de existencia quotidiana.

És a minha tão doce rosa urbana,
que enraizada ao concreto vazio,
um perfume das pétalas emana.


Sr. Personna às 22:21


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Quinta-feira, Agosto 19, 2004

A minha tão ácida vaidade
Lucas C. Lisboa

Especializei-me naquilo que não sei,
discuto, mesmo o que ainda não aprendi.
Não faço questão alguma de fazer sentido,
muito menos almejo dar explicações.

Sim, não sou tanto quanto eu já desejei,
nem tento recuperar algo que perdi.
Acredito até que nunca fui bem-vindo,
não sei se justificaria minhas ações.

Sim, naquele pequeno instante vacilei,
e já esqueci-me do silêncio que pedi
Tenho pouco mais do que um segundo perdido,
e no som só tocam as mais velhas canções.



Sr. Personna às 12:37


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Terça-feira, Agosto 10, 2004

A cerca do certo
Bruno G. Fonseca

Amanheceu tarde hoje,
o passeio na madrugada.
O tudo, o nada.

Inventei um pretexto,
para fugir e dar no pé.
Covarde! Coragem!

Cacei no céu a noite,
três tiro na escuridão.
Talvez o perto, bem longe.

Acalentei no peito mágoas,
sonhos o avisam, pesadelos.
Da minha paz, fez-se a guerra.

Soldado Errante

Fugi de algo...
Tarde, amanhã,
chegarei lá,
cansado ofegante,
em fronteiras distantes,
muros e grades,
desse mundo de vidro,
parte destemido,
seguindo avante,
o combatido,
o infante.

Calo nos pés,
sangue nas mãos,
vontade na fé,
perdido o pulmão,
logo...Morto...

0Infante às 13:48


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Segunda-feira, Agosto 02, 2004

Como são...
Bruno G. Fonseca

Percam-se versos,
labirintos de contextos,
mórbidos sonhos,
quebram em letras,
morrem ao punho,
na cova de um qualquer
onde impera a morte.

Calam-te sons,
por simples vaidade,
e agora por desunião,
formam-te palavras,
perdidas entre os versos,
vagam entre as árvores
distribuindo o eco na imensidão.


0Infante às 20:28


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Quinta-feira, Julho 29, 2004

Marionete de trapos coloridos
Lucas C. Lisboa

Quando noto teu tão amargo sorriso.
Enalteço-me por tal doce apreço...
e de tamanho prazer regojizo,
tanto que ao deleite até me esqueço.

Gargalho ao ver este olhar nervoso,
assim aos pesadelos apareço,
para divertir-me por puro gozo.
Com palavras e linhas te enlouqueço!

Marionete de trapos coloridos,
és assim tão linda que me faz rir!
E dance! A platéia está assistindo!

Sem mim teus passos são vagos, perdidos.
Sozinha é sem encanto, só faz dormir.
E durma, lá fora há cães latindo...


Sr. Personna às 14:42


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Quinta-feira, Julho 22, 2004

(Transcrições de ideais)

do Passado
Bruno G. Fonseca

Presente!
O papel
ao poeta,
no martirio
da lembrança,
o passado
presente.




Sobrevida
Bruno G. Fonseca

Serei breve.
Só bebo.
Só devo.
Sou breve.
Sem prevê.
Só.
Sobrevivo...




0Infante às 14:45


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Quarta-feira, Julho 14, 2004

A minha adorável turba
Bruno G. Fonseca/Lucas C. Lisboa

São risos e mais risos, todos sorridentes!
Calem-se! Não há porque estarem tão contentes.
Lágrimas e mais lágrimas, todos aos prantos!
Parem! Sabemos que entre nós já não há santos.

Loucuras e mais loucuras, todos dementes!
Aquietem-se! Os juizos estão ausentes.
São Vozes e mais vozes, em todos os cantos!
Falem! Me digam o porquê desses encantos.

Percam-se! Por entre essas vozes distorcidas.
Seres de almas vazias e pensamentos pequenos!
Razões iludidas, são homens vivos à postos.

Esqueçam-se! Destas aspirações tão decaídas.
Seres de sangue ralo e de sonhos amenos!
Ilusões perdidas, são homens apenas mortos.


Sr. Personna às 10:48


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Sábado, Julho 10, 2004

Juventude
Lucas C. Lisboa

Voz um pouco rouca,
não fique sozinha,
com duas garrafas,
de vinhos sem safras.

a tua linda boca,
que não é só minha,
beija o corpo meu,
que não é só teu.



Sr. Personna às 02:39


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Quarta-feira, Junho 23, 2004

Doce garotinha
Lucas C. Lisboa

e segurando a faca pelo fio,
a menina derrama de suas mãos
algumas tantas lágrimas vermelhas.

a cerrar seus dentes pequeninos,
morde sozinha uma raiva tamanha,
que machuca o seu lábio tão macio.



Tua admirável Loucura
Lucas C. Lisboa

De posse desta tua faca tão cega
Não tente lacerar as tuas mãos frias
Quando foge da morte e a luz nega
Em devaneio apenas dance e sorrias

Quando os jardins sem flores tu rega
criam-se poças que não secam por dias
Um punhado de areias vermelhas pega
Põe-se a gritar por todas cercanias

Teu olhar tão doce quanto o vinho
Causa medo e espanto aos mais sãos

Tal quando se vai a despetalar espinho
que te fere rosto boca e até mãos

E aquele tão amargo bolo do moinho
foi roubado pelos teus queridos irmãos




Sr. Personna às 23:59


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Quinta-feira, Junho 17, 2004

Vivendo no passado
Iago S. O. Pereira

Caixa de pandora, suave talhada
pelo obscuro inverno das memórias
guarda uma realidade tornada
tão banal quanto o sumo das histórias.

E quando da abertura do sarcófago
escapam os males aprisionados.
Devoro o passado qual tal um necrófago,
esfaimado rompo nodos lacrados.

Ah! As sublimes lembranças da infância.
Palácios de quimeras em destroços,
campo de flores onde a fome avança.

Preencher a vazia reentrância...
E com os dentes triturar os ossos
do tardio pássaro da esperança.


Mr. Six às 12:46


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Quarta-feira, Junho 09, 2004

Nossos corpos
Lucas C. Lisboa

Ardentes mãos que se tocam
Pecam em algum desejo
Vejo o dorso nu em meu leito
Deito e seu corpo sentir


Ao meu sonho permanece
Atiça coração e mente
Na vontade que sente
De esse toque permitir

Ébrio em âmbar não envelhece
Carícia ao seio ardente
Num êxtase permanente
Nesse delírio existir

Ardentes mãos que se tocam
Pecam em algum desejo
Vejo o dorso nu em meu leito
Deito e seu corpo sentir


Carinhos ao corpo espalham-se
Toques ao sexo desnudo
Algum orgasmo profundo
Se delirar e sorrir

Ao sentimento entregar-se
Embebido de prazer
Irrecusável por ser
Mostrar-se ao exprimir

Ardentes mãos que se tocam
Pecam em algum desejo
Vejo o dorso nu em meu leito
Deito e seu corpo sentir


Abraços em que se esquece
De todos medos e receios
Deito-me sobre teus seios
Se fechar olhos, dormir

Teu corpo ao meu adormece
Neste toque sobre ti
Neste estremecer senti
Perder-se no persistir

Ardentes mãos que se tocam
Pecam em algum desejo
Vejo o dorso nu em meu leito
Deito e seu corpo sentir


À tarde se escurece
Contacto dos corpos nus
Um perfume que seduz
Parece não mais partir

O novo dia amanhece
Acordamos à meia luz
Sobre nosso suor reluz
Se esquecer de surgir

Ardentes mãos que se tocam
Pecam em algum desejo
Vejo o dorso nu em meu leito
Deito e seu corpo sentir



Sr. Personna às 15:36


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Quinta-feira, Junho 03, 2004

Flagelamento Mental
Bruno G. Fonseca

faço tudo a má vontade
nego a fé, a piedade
brindo a rica depressão

rindo a falsa liberdade
verdade que não se via
porém nos livros se lia

no fulgaz desejo morto
carregado em si no porto
para um mar de sangue e lira

se desfaz num olhar torto
horto de meu pensamento
a acabar no esquecimento


0Infante às 12:09


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Quinta-feira, Maio 27, 2004

Ramalhete de palavras
Lucas C. Lisboa

As palavras bonitas e flores singelas
são tudo que tenho para lhe oferecer
pra provar-te, pulo muros, salto janelas
espalho doces versos que não irás esquecer

Trago lírios delicados e rosas belas
se acaso fosse de teu caro querer
até pintaria nas mais vivas aquarelas
só para um sorriso de teus labios nascer

apenas duas mãos e uma mente apaixonada
cruzo mares de morros, montanhas e montes
quebro ilusões, medos e delírios medonhos

pois simplesmente sei que és tu minha amada
juntos, em toda a arte, nós somos amantes
construo nosso castelo com pedras de sonhos


Sr. Personna às 17:39


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Domingo, Maio 23, 2004

Orquestra da preciosa sinfônica
Bruno G. Fonseca

Traços lineares da voz,
da mais pura melodia,
a leitura perfeita,
o toque do som.
A pura arte,
poesia,
no timbre,
tom.
!


0Infante às 23:41


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Quarta-feira, Maio 19, 2004

le petit mort
Lucas C. Lisboa

Hoje, que já é de noite, não irei chorar
Não pensarei naqueles nossos belos sonhos
Sentarei-me à mesa de qualquer lugar
Um cálice de vinho e alguma mulher
Embriagar-me em alcool, enebriar-me em perfume
Neste mesmo leito que nós já nos deitamos
Não vou deixar escapar a pequena morte


Sr. Personna às 09:49


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Quarta-feira, Maio 12, 2004

O Tempo
Rafaela Steffen G. Rosa

O relógio corre números
Números que me obrigam a aceitá-los
Mas que não significam nada
E eles desmentem minhas idéias
De que corremos nessa vida
Achando que a próxima será melhor
Mas que próxima?
Que relógio voltará esse tempo?
E tantos números que não significam
Nada.
E tudo.E nada.E tudo.
Mas corro.
E quanto!E tanto!
Porque não posso
perder,e correr,correr
é o que faço para provar
que ganho do meu
Relógio.


0Infante às 23:00


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Sexta-feira, Maio 07, 2004

Uma antiga cidadela
Lucas C. Lisboa

Na noite que ele surgiu ninguém disse nada
As folhas ao vento, tanta gente parada
Sim, naquela noite ele realmente sorria
Ignoravam, os caminhos que ele seguia

Só quando a primeira colheita foi ceifada
Notaram que a bela face estava quebrada
Mesmo com todos os olhares que se via
e sem se darem conta a riqueza se esvaia

São poucos que se lembram das noites de outubro
Hoje são mudos os que aquela voz ouviram
tão cegos que se dispuseram a enterra-las

As paredes agora tingidas de rubro
são as únicas testemunhas que murmuram
aos poucos que hoje ainda prestam a escuta-las


Sr. Personna às 13:28


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Terça-feira, Maio 04, 2004

Aurora
Iago S. O. Pereira

Fito a negridão das estrelas congeladas,
Despedindo-me do luminoso crescente.
E desvanecem as faíscas destronadas,
Antevendo o despertar do dia latente.

Tua alma vagueia ligada pela prata
singrando rumo ao zênite que apolo visa.
Os silfos rodopiam dançando pela mata,
Árvores e insetos gemem ao som da brisa.

Suave teço um toque de orvalho na tela,
rompendo teu sono co'a sutil frialdade
Saudando a manhã com tua face que ri.

O céu azul explode através da janela,
numa profusão de luz e tenacidade
Enquanto entoo esta alegre canção à ti.


Mr. Six às 17:52


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Domingo, Maio 02, 2004

Brincadeira
Bruno G. Fonseca

Brinco de viver e sorrir,
as coisas que me tem de fato,
são pra mim meu fardo.
As pessoas que um dia amarei,
não estão ao meu lado.
E ela, minha solidão,
será a mim de novo companhia.

-Não quero mais brincar!

Será a mim de novo companhia,
ela, minha solidão.
Não estão ao meu lado
as pessoas que um dia amarei.
São para mim meu fardo
as coisas que me tem de fato.
Brinco de viver e sorrir.

Bruno G. Fonseca
Brincadeira


0Infante às 15:15


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Terça-feira, Abril 27, 2004

Acalanto
Júlia C. B. Levy

É noite, não tenho sono,
sozinha aguardo e padeço:
mas chega a tua lembrança
e, numa doce esperança,
fecho os olhos e adormeço.

É noite, o arcanjo do sono
não acha o meu endereço:
mas tu chegas, minha vida,
cantando a suave cantiga,
fecho os olhos e adormeço.

Tudo mudo: o quadro escuro
e a fria estátua de gesso...
Estou só, mas, num instante,
chegas de muito distante,
fecho os olhos e adormeço.

Não temo a sombra da vida
e a morte que não conheço.
Temo a ausência do passado...
mas estás vivo ao meu lado...
fecho os olhos e adormeço.


Shin´an Anklet às 02:07


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Sábado, Abril 17, 2004

Negras são as Chamas
Lucas C. Lisboa

Aqui são três velas;
as folhas queimadas;
incenso consome;
janela aberta;
vinda do oxigênio;
fumaça respiro;
tinta distorcida;
em versos de fórmica;
ambiente descrito.



Sr. Personna às 21:09


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Domingo, Abril 11, 2004

As Flores e a Geada
Iago S. O. Pereira

Quem me dera pudesse ter
uma rosa congelada
e que pudesse manter
toda a beleza intocada

mas a vida não é só flores
toda rosa tem espinhos
rosas negras tem veneno
todo anjo tem seu ninho

o saber mata e corroi
a esperança tortura e fere
assassine qualquer lembrança
congelada, quem me dera

As abelhas não podem extrair
de uma rosa congelada
com a vinda do degelo
vem o perder da amada.


Mr. Six às 23:37


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Quinta-feira, Abril 08, 2004

(AS PRIMAVERAS)

Mais uma rosa
Bruno G. Fonseca

Uma paixão sem tino,
deste amor que acabou.
Tu foste do destino,
a rosa que faltou.



Mandar Flores
Bruno G. Fonseca

Em versos,
em dores,
em desejos,
em amores.
Flores!



Distorção
Bruno G. Fonseca

Ver flores,
mandei-as.
Flores mortas,
muchas.
Presente dócil,
dócil presente.
Espinhos ferem...
Sangue...
Seiva...
E planta
a vida.
Meu sangue,
sangue meu.
Teu corpo,
corpo meu...



0Infante às 23:12


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Domingo, Abril 04, 2004

O Elogio da Palavra
Júlia C. B. Levy

Meça as suas palavras. Sejam elas
tão sensatas, tão justas e tão belas
que pesadas, medidas, pressuponha,
espalhadas a todos, no infinito:
não se arrependa nunca de as ter dito,
não sinta delas a menor vergonha.

Meça as suas palavras. Nunca as diga
nos momentos de raiva, nunca a intriga
saia da sua boca, pois que tudo
o que se diz, pensado ou impensado,
é contado, medido e bem pesado.
Seja sóbrio, discreto e, às vezes, mudo.

Se há virtudes nas frases delicadas,
nas palavras corretas, buriladas,
nas expresões de amor ou de prazer;
há muito mais virtude, com certeza,
nas que, tendo nascido da aspereza,
por prudência ficaram sem dizer...

Como o trabalhador que a terra lavra,
desempenhe a tarefa da palavra
com sublime e sincera devoção;
plante-a verdade, colha-a sentimento,
desça por ela ao Hades do tormento
e suba ao Céu da santificação.

Prenda a sua palavra, faça-a escrava,
pois tudo o que se fala aqui, se grava
no disco gigantesco do porvir...
E embora custe bem para aprender,
veja, é melhor querer e não dizer
que não querer e precisar ouvir!

Salve a palavra imaterial - a idéia -
abelha que trabalha na colméia
da mente e laboriosa faz o mel,
vai às flores num doce encantamento,
trá-las em sua essência - o pensamento -
e fá-las alimento, no papel.

Sofredora imortal... Santo edifícil
que tem por alicerce o sacrifício
e tem por teto a floração da luz...
Pela tua grandeza verdadeira
Sorveto - foi queimado na fogeira
e Jesus Cristo - padeceu na cruz.

Cismadora eternal - ondas inquietas
a marulhar na mente dos poetas
numa auréola de anseio e de esperança...
Se o sonho a cria, a realidade tece-a;
Byron - sonha lutando pela Grécia,
Hugo - luta sonhando pela França.



Shin´an Anklet às 14:02


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Quarta-feira, Março 31, 2004

Viajante
Lucas C. Lisboa


Surge o embate do Metal
Mortal haverá de ser
E morrer assim será
E deverá enfim partir


Um Herói atormentado
Rosto de belas feições
Sozinho por suas razões
Perdido, não sabe aonde ir

Uma alma desesperada
Um olhar azul elétrico
Esse cavaleiro poético
Sua espada a brandir


Surge o embate do Metal
Mortal haverá de ser
E morrer assim será
E deverá enfim partir


Um ser que já é esperado
Longos cabelos ao vento
São negros como o tormento
Armado é para ferir

Uma mente vai assombrada
Carrega o livro profético
Ao pesadelo esquelético
Noite calada a sorrir


Surge o embate do Metal
Mortal haverá de ser
E morrer assim será
E deverá enfim partir


Um único ideal buscado
Vagando sem descanso
Busca somente o remanso
Esperado a se dormir

Uma esperança acalmada
A luta pela vontade
Ele esquece a vaidade
Preparada a prosseguir


Surge o embate do Metal
Mortal haverá de ser
E morrer assim será
E deverá enfim partir


Um novo ser é recriado
Confrontando o pensamento
Seguirá odiando o elemento
Desmantelando o existir

Uma rica canção entoada
Velha batalha à memória
O canto desta vitória
Cantada vai prosseguir


Surge o embate do Metal
Mortal haverá de ser
E morrer assim será
E deverá enfim partir


Sr. Personna às 14:21


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Domingo, Março 28, 2004

Arlequinata
Iago S. O. Pereira

Sonho, entre devaneios e ilusões
com o dia em que irei te encontrar
Grito, o desejo quebra os grilhões
esta trilha de prata devo trilhar

Sigo as estrelas em seus caminhos,
sigo sua face em meus carinhos,
sigo o sol em sua dura caminhada,
sigo teus olhos, os olhos da amada

Ó Columbina, onde te escondeste?
ó adorada, que belo sorriso é este?
Inamorata, que presentes escondes de mim?
Quando acaba a busca, a busca do Arlequim?


Mr. Six às 23:02


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Sexta-feira, Março 26, 2004

Livre
Júlia C. B. Levy

Eu agora estou livre, posso abrir
a janela e sorver o ar que há na rua,
posso amar, posso andar, posso sorrir,
posso cantar, sem a presença tua.

Estou livre! Estou livre como a Lua,
como as aves, as flores a se abrir.
Lá fora a vida freme, encanta estua;
e eu posso andar onde queira ir.

Estou livre! Estou livre! Maldição!
Desejara mil vezes a prisão,
que esta negra e vazia liberdade!

Que prazer posso ter sem tua companhia;
romper cadeias - para estar sozinha,
ficar liberta - para ter saudade!


Shin´an Anklet às 00:33


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Domingo, Março 21, 2004

Noite
Bruno G. Fonseca

Luz.Luz.Luz.

Ah? Repita.
Se te amo?
Agora sim,
depois não!

Não...Chorar?
Por que se a amo?
Agora...
te amo;
porque me amas?

Sim. O fim!
Tenho de ir.
Adeus...Tchau...
Acabou, agora.

-Oi, chegeui meu bem.
-Sim estive bem.
-Eu te amo,
por que perguntas?

-Sim, sei, é eterno,
é amor - Dúvida de mim? -
a amo!
-Não agora,
pra sempre...
-É minha hora, adeus.

Luz.Luz.Luz.


0Infante às 23:11


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Quinta-feira, Março 18, 2004

Nasce das cinzas,
Iago S. O. Pereira

Uma nova ilusão surge perante meus olhos
Maya, ocaso da vida, só se faz por me enganar

Sou o que mostro ou o que penso, secreto?
Esperança de viver eu não guardo mais
Raios azulados destruam o corpo escreto!

Deste pesadelo não acordarei jamais
Então deixe as trevas carcomer meu cadáver

Tire de meu sangue a luz da alvorada
Rasgue minha carne e icinere minha amada
Este par de noites farei por nascer
Voe, filho meu, rumo a um novo amanhecer!
Asas negras em combustão, saltando do pó
Saiba que esta é sua criação, estuprada sem dó!


Mr. Six às 18:29


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Domingo, Março 14, 2004

Um assunto Recorrente
Lucas C. Lisboa

Ao escrever versos soltos
nas orelhas dos cadernos
em rasgos de guardanapos
Dá-me prazer, faz-me bem
É uma faxina mental
discorrer em devaneios
Expressando meus desejos



Sr. Personna às 07:14


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Quinta-feira, Março 11, 2004

da Filosofia
Bruno G. Fonseca

Quando penso em poesia
Até sinto que me esqueço
Deste momento sublime
Que me diz respeito ser,
O instante de nirvana,
Do pensamento que tive
O meu conceito de pensar


0Infante às 01:03


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Segunda-feira, Março 08, 2004

Minha São Paulo
Júlia C. B. Levy

Poluição,
Poluição,
Poluição.

São Paulo na pele
São Paulo nos nervos
São Paulo no coração...

São Paulo cidade minha
desafiando os administradores,
crescendo vertiginosamente.

Bandeira de fumaça que o vento enfuma
Clarim das sirenas de carros aflitos,
milhares de risos,
milhares de gritos,
coral dissonante de vozes inquietas...

A prece...
o soluço...
buzinas perdidas...
e o baixo profundo do imenso avião

São Paulo poema,
São Paulo problema,
São Paulo dilema,
São Paulo canção.

Nesta manhã clara de tua infância
te cantarei um hino,
nesta antevéspera do teu delírio
te falarei de ternura

Nesta hora de luta
te cantarei uma canção -
porque me embalas com teu canto,
porque me animas com teu grito,
porque me tomas pela mão.

São Paulo poema,
São Paulo problema,
São Paulo dilema
São Paulo canção.

Cidade minha.
Força minha.
Canto meu.



Shin´an Anklet às 15:47


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Quinta-feira, Março 04, 2004

Meu Futurismo Pessoal
Iago S. O. Pereira

Explosões retumbantes no céu!
Deixe crescer as rubras margaridas
Com elas brindareis ao grande véu
que ceifa as almas, suga as vidas!

Que venha então a pólvora e o cometa!
É Shiva Nataraja que aqui dança
Nas ruínas da sétima trombeta!

Cante com sangue, brinque com o fogo!
Envolva-se em laços de puro engodo
Assista ao parto da rosa esperada
da rosa-disforme, da rosa-dourada!

É tempo de guerra! É tempo de ação!
da já-bofetada, de agir sem razão
de amar sem amor, de matar sem perdão
criar sem pensar, sem pensar no senão.

Morrem as flores, consumidas pela devassa nevasca violeta.


Mr. Six às 00:51


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Segunda-feira, Março 01, 2004

ir
Bruno G. Fonseca

Quem te dá a mão ao cair?
e lhe protege, a ajudar a resistir...
Porque deixa-lo partir,
não o deseja? Pra que despedir?
Aos lábios lhe retorna o sorrir,
tanto viveram; se foi...ir-rir!


0Infante às 00:39


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Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004

Conselhos
Júlia Levy/Bruno G. Fonseca

- Cuidado, filha - minha mãe dizia -,
ele, que, inconstante e incontentado,
retém o coração apaixonado,
o poeta namora uma por dia...

- Trata-o como qualquer trataria,
sem carinho excessivo e exagerado;
filha, namoro assim, toma cuidado,
não passa de torre de poesia...

Mas eu não te dava ouvido e pensava:
-"Amanhã, pouco importa que ele mude,
viverei na alegria da lembrança..."

Como era sábia... Desacreditava
dos conselhos sensatos da virtude,
para crer nas "miragens da esperança"!


0Infante às 14:30


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Domingo, Fevereiro 22, 2004

Explicando a Despedida
Lucas C. Lisboa

Ele sumiu, não deixou qualquer vestígio.
Nenhuma carta de despedida.
Nenhum indicador de seu novo paradeiro.

Creio que não mais retornará
e acredito que tanto faz
se foi por vontade própria
ou devido à pressões alheias.

Mas não seria de se estranhar
se chegasse até aqui,
por meios comuns ou não,
uma carta de versos
ou uma prosa surrealista.

Seria como se ele dissesse que está bem,
à sua própria maneira,claro,
bem mais feliz em sua nova morada,
afinal deixou tantos pezares
e milhares de cobranças para trás..


Sr. Personna às 00:40


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Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004

(pequeninas)

Câncer de Pulmão

Iago S. O. Pereira

Trago,
estrago.



Mosquito
Iago S. O. Pereira

Pequena criatura a voar,
no firmamento do ar.



Metalinguagem
Iago S. O. Pereira

Poesia
Melodia
Teoria
Cacofonia
Maresia
Apatia
Dia
Ia.


Mr. Six às 00:45


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Sábado, Fevereiro 14, 2004

Novo Poema
Bruno G. Fonseca

Céu de verão,
noite estrelada,
o vento, o nada.
Tudo, é tempestade.
Aos poucos, o pouco,
se multiplica.
E tudo, contudo,
fica vazio.

Sabe-se triste,
que a tristeza
traz felicidade.
Feliz, sua dor
nem sempre é curada;
porém superada.
Do chão, levanto-me
a teus pés.

Humilhar-me
já não é tão raro.
Raro é ser comum,
não sou mais um,
nem sou ninguém;
e sei, por mim;
que só você me vê
feliz de verdade.

Contento-me
em tua decepção,
nem por isso
lhe odeio,
amo-te de coração,
e nunca de ti
espero perdão,
sabes que erro...




0Infante às 14:34


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Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004

Utopia
Lucas C. Lisboa

Tudo é tão perto que vejo de olhos fechados
Nada é tão longe que minhas mãos não alcancem
Ainda não é necessário optar entre escolhas
Resta tempo até para dormir esta noite


Translação
Lucas C. Lisboa

Em algum segundo
Espera nenhum momento
Sendo um mesmo mundo


do Desejo
Lucas C. Lisboa

Eu queria ter o poder
de poder esquecer-me
de não mais recordar-me
dos momentos de querer



Sr. Personna às 01:00


Comentários:

Sábado, Fevereiro 07, 2004

Carta Poema
Bruno G. Fonseca

Agradecer-te eu venho,
por existir e ser caminho,
por pedras,
por espinhos,
por ser fruta,
por ter carinho.

Agradecer-te eu vinha,
por ser amor e ser a linha,
por limites,
por amigos,
por ser tristeza,
por ter alegria.

Agradecer-te eu vim,
por ser calor, e ser o fim.
Por ser pedra,
por ser limite,
por ser fim,
por ter fim!




0Infante às 23:46


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Sábado, Janeiro 31, 2004

Artisticamente
Lucas C. Lisboa

O vôo inaugural do espécime raro
Objecto esquecido, mostra-se caro
Asas acorrentadas ao granito
Pedra esta, irá queimar um espírito

Aos olhos duas rodas de jade claro
O pincel com seus traços és lacero
A visão não fita mais o infinito
Estrelas e Sol já soam esquisito

Modelo melhor não se encontraria
Tão belo, passivo e de todo inerte
Molda-se ao mórbido prazer artístico

Obras quiçá jamais esqueceria
Mas que por hoje apenas nos diverte
Um prazer charlatão mas tido místico


Sr. Personna às 13:05


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Sexta-feira, Janeiro 23, 2004

Ímpeto de Criação
Bruno G. Fonseca

Faz de tuas vontades
Como o pensar do povo.
A alvorada dos seres
Este nascer do novo.

Cria de tua ânsia
A alma de uma nação
Vívida pela infância
Esta nova razão

E tu serás a glória
Em um ventre hostil.
Viverá na memória
Meu amado Brasil

Vive com tua glória
Inda que seja hora
Teu passado e escória
Este mundo devora

Vindo dum berço sujo
Vaga louco Raimundo
Vaga louco no mundo.
(Rima sem solução)

Tuas selvas e minas,
Tuas riquezas mil.
O tupi em ruínas
Morto por ti, Brasil


0Infante às 00:09


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Segunda-feira, Janeiro 19, 2004

Lavoura de cactos
Lucas C. Lisboa

Tome este exemplar de invulgar beleza
cultivei para ti estas tantas flores
Espinhos e pétalas; distas cores
Um verde caule de pura aspereza

Chegou dia desta esperada colheita
Nesse deserto areias tão vermelhas
Chega inverno e se apagam as centelhas
Lavoura de cactos onde sol se deita

Folhas metamórficas as protegem
Não se cansam desse modo existir
Contra o espaço do árido e do calor

Caule endurecido que hoje nos servem
Esse buquê de minhas mãos partir
Não cessa este nascer deste explendor


Sr. Personna às 09:44


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Quinta-feira, Janeiro 15, 2004

Liberdade a prazo
Bruno G. Fonseca

Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil

Pátria de grandes amores
Pária de uma nação
Sei que sofres das dores
Pragas dos Deuses
Por ambição

Vida de belas riquezas
Vide a desunião
Todos somos as presas
Vingança dos fortes
Varíola dos sãos

Não temais ímpias falanges
Que apresentam face hostil

Trilha teu caminho
Tarde na escuridão
Não precisas do carinho
Tibiez nos afetos
Tão falso um irmão

Faz por teu país
Feito único de uma esperança
Pálida e perdida, sem forças alcança...
Fausto desejo
Falsa lembrança

Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil


0Infante às 09:43


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Sábado, Janeiro 10, 2004

Brasil Acorrentado
Iago Soares Otoni Pereira

Neste verão perene que cá vive,
espreguiçando no quente mormaço
salta este grito que sempre contive
vinha engolindo o sonho que abraço!

Mesmo trancado em minha solidão
entendo o sentido desta parede
fome de um povo que mata por pão,
dor desta gente que morre de sede

Será que os grilhões podem segurar
asas de um povo que insiste em voar?
Poderá o sonho desvanecer?

Eu sou um Brasil acorrentado
sou a síntese de um povo fadado
a romper e ser livre ou padecer.


Mr. Six às 20:59


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Sexta-feira, Janeiro 02, 2004

Pintura Clássica
Lucas C. Lisboa

Ópio com sucrilhos
Arte nos ladrilhos
Na parede, trilhos
Pelos pés de milhos
Seguem andarilhos


Sr. Personna às 17:07


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Terça-feira, Dezembro 30, 2003

Cólera por um amor
Bruno G. Fonseca

Uma impiedosa vontade,
neste corpo fatigado.
Em meu peito a magestade,
do coração retirado.

Vaga em busca um viajante
com sua visão ofuscada.
Um novo caminho errante,
para o colo de tua amada.

E por braças a distância
vira doença de cama.
Vai e descansa em uma instância,
por detras de tu, que ama.

No inicio a doença branda
com o luar tenebroso,
provindo desta varanda,
e faz de inerte o medroso.

Da terra ao fogo
no céu da vida.
Desfaz o rogo,
prece perdida.


0Infante às 09:30


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Domingo, Dezembro 28, 2003

Passos no crepúsuclo
Iago Soares Otoni Pereira

Ouço passos proibidos
estalando ao meu redor
um arrastar de correntes
um gargalhar no crepúsuclo
(certeza de ser fitado)
são esferas flamejantes,
d'uma era há muito passada

O sol vermelho sorri
um sorriso interminável
de inefável zombaria
massacrando meu sonhar
me lembrando sempre, sempre
destes olhos chamuscantes
que fitei na eternidade
d'uns esparsos momentos
em que digo que vivi

Então simplesmente acordo
(certeza de ser fitado)
pra viver meu pesadelo
meu sofrer cotidiano
numa noite sem estrelas,
sem o sol pra iluminar
aquele canto sombrio
de voracidade estéril
eterno a me devorar

Então teço, escarlate
pra ti uma serenata
espero que ouça, meu sol
com toda a sua atenção;
o réquiem que dedos de ossos
dedilham em meu piano
nessas teclas de marfim

Sei que estou só, com a música
(certeza de ser fitado);
passo os olhos num suspiro
nesta grande cerejeira
procurando pelas flores
levadas pela enxurrada
e a cadeira de balanço
range ao se mover sozinha
até que os ecos s'espalhem
pelo vasto anoitecer
até desaparecer.


Mr. Six às 00:13


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Quinta-feira, Dezembro 25, 2003

Cárcere
Lucas C. Lisboa

Tu estás sugando toda esta minha energia
Cobrindo-me nessas lágrimas de cristal
Não vou beber deste vinho que me faz mal
Nos teus olhos não mais há o brilho da alegria

Entre nós morreu todo o brilho que se via
Jogou-me a uma tumba de grades de metal
Teu beijo já tornou-se um veneno mortal
Sufocou nossa beleza que ainda existia

Esse teu toque quente em mim já se perdeu
Se findou e apenas resta em tuas mãos a frieza
Por ti o meu canto de sonho se calou

São só lembranças mortas o que tu viveu
Creio que ainda consegue enxergar essa tristeza
Assim tu com o nosso existir acabou



Sr. Personna às 11:56


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Terça-feira, Dezembro 23, 2003

Do Luto
Bruno G. Fonseca

Do pouco poder
ter em mãos
a seiva bruta.
Do sangue o ser
ter em vão,
o mal da luta.
-Perder
-Ilusão
-Viver a luta,
de luto...


0Infante às 12:55


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Domingo, Dezembro 21, 2003

História
Iago S. O. Pereira

E caem impérios
rugem cemitérios
pelas tumbas profanadas

E caem impérios
perdem se mistérios
nas ruínas crescem heras.

E ficam os ratos
roendo os vencidos,
em casas abandonadas,

destramam os fatos,
os sonhos tecidos,
ao som do passar das eras.


Mr. Six às 01:34


Comentários:

Sexta-feira, Dezembro 19, 2003

Por Hoje
Lucas C. Lisboa

Hoje dá-me vontade
loucuras e insensatez
besteiras e estupidez

Hoje dá-me uma vaidade
de puras e pele tez
de juras e lucidez


Sr. Personna às 09:04


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Terça-feira, Dezembro 16, 2003

Saudades Verdadeiras
Bruno G. Fonseca

Amigo quis saber como está,
se quebrou o pé ou consegue andar,
pois sabe, a saudade passou,
mas enquanto tive foi de matar.

Amigo quis saber onde estava,
se aqui por perto ou com aquela gata,
pois sabe, o tempo mudou,
mas por outro lado a vida mata.

Amigo quis saber como estava,
se novamente com aquela gata,
pois soube, estava de mudança,
mas onde será sua nova casa?

Amigo quis saber como está
se quebrou os ossos naquela caixa,
pois sabe, a saudade ficou, e em mim morou,
mas não mais o vi...

A saudade era de matar
O tempo mata
A nova casa
Aquela caixa
Morou!




0Infante às 10:05


Comentários:

Domingo, Dezembro 14, 2003

Ratos amarelos lissérgicos
Lucas C. Lisboa

Agora o tempo corre
Os ratos enfim roem
As feridas ainda doem
Mais um sonho que morre

Olhando ao meu redor
Caleidoscópio quebrado
Me vejo cantando calado
Respirando todo o fedor

O ácido lissérgico na piscina
Corroendo a mente e o coração
Ela verte lágrimas de paixão
Procurar veia então virou sina

Rato roendo seringa de mel
Colher virando caldeirão
Eu me pergunto porque não
Sinto agora o cheiro do fel

No fogo ele então liquefaz
O cheiro espalhando pelo ar
Minha vontade o desejo derrotar
Somente o cheiro já me satisfaz

Na piscina cheia de gatos
Paro e escuto o choro dela
Penso naquela casa amarela
Na casa não há mais ratos


Sr. Personna às 23:14


Comentários:

Quinta-feira, Dezembro 11, 2003

Tempo Guardado
Bruno G. Fonseca

Ah!
Se pudesse eu guardar as guerras para depois,
esperando o tempo parar, e viver sem tempo;
sem esperar.
Se pudesse eu guardar as mortes de antes,
e viver o agora, neste momento suspenso ao ar;
e esperar...
Se pudesse eu guardar o amor para agora,
e gozar da vida em um momento único, inesperado;
esperar?


0Infante às 20:20


Comentários:

Terça-feira, Dezembro 09, 2003

Morte Moderna
Bruno G. Fonseca

AQUI POETA JAZ!
POETA JAZ AQUI!
JAZ AQUI POETA!
AQUI JAZ POETA!
POETA AQUI JAZ!
JAZ POETA! AQUI...




0Infante às 08:03


Comentários:

Sexta-feira, Dezembro 05, 2003

Ciências Humanas
Bruno G. Fonseca

Me sinto como uma máquina,
cada vez mais humano,
cada vez mais máquina.


0Infante às 20:56


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Quarta-feira, Dezembro 03, 2003

A Libélula e a Mariposa
Iago S. O. Pereira

Você não me entende, libélula
embora busquemos a mesma luz
embora dancemos sobre o mesmo açude de águas paradas...

Somos diferentes, libélula
Meus sonhos mal se distinguem no lodo
enquanto os seus pulsam vivos com a luz do sol.
embora nossas asas sejam igualmente frágeis
as minhas estão presas no barro de que somos feitos
já são parte deste pântano verde e cheio de musgo.

Somos diferentes, libélula.
Voo rumo a um fogo fátuo,
funesto habitante do brejo que é minha vida
Enquanto você voa rumo a lua,
que embora esteja distante como o fundo do lago
é sonho tangível e de existência duradoura
uma grande rocha a flutuar na noite.

Eu me visto de escuro e me escondo na sombra
me escondo em meu medo e minha vergonha
você se veste de sol, de íris, de canto
de cores e esperanças (pra mim há tanto perdidas...)

Libélula, fuja enquanto pode
Porque minhas negras asas podem te enganar
o vácuo parasita suga-me no dia a dia
em um espiral de caos e tristeza,
rumo a negridão de minha alma
rumo a sombra da noite...

fuja enquanto está sã, libélula
a lua ainda repousa no céu
enquanto me consumo junto a chama dos mortos.


Mr. Six às 23:42


Comentários:



Em tuas asas
Lucas C. Lisboa

Tua face à minha
alma vizinha
teu corpo ao meu
suspiro seu

Te toca-me
e beija-me
tu se deleita
em mim se deita

Sejas assim
no sonho mesmo
falando sim

O gozo ao fim
em dizer a esmo
dormir enfim


Sr. Personna às 21:02


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Segunda-feira, Dezembro 01, 2003

Quarto
Bruno G. Fonseca

Chão, parede, teto.
Cama, criado, mesa.
-Que mundo!
Ah! da vida
que vi perder!
Corredor, sala, quarto.
Janela, vidro, parapeito.
-Que tempo!
Ah! das dores
que vi ceder!
Perdi amigos.
Cedi amigos.
De longe,
o caminho distante.
Na chegada,
o alivio imediato.
No escuro,
na minha cama,
pensamentos,
de uma outra vida,
em um outro quarto.



0Infante às 08:21


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Sexta-feira, Novembro 28, 2003

Nosso deleite
Lucas C. Lisboa

Os teus cachos tocam em meu ombro
Seios desnudos roçando no meu peito
Ao pescoço marcas de um batom rubro
Mãos que me guiam ao desejado leito

Por teu prazer com meu corpo lhe cubro
Nesta espera por ti já me deito
Os anseios para estes sonhos de outubro
Em teu rosto um sorriso satisfeito

O teu tocar em minha pele tensa
e minha boca deixando-te nua
e todo desejo se satisfaz

Doce calor vindo de sua presença
Quando envoltos pela luz da lua
Contigo este meu corpo se desfaz



Sr. Personna às 10:06


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Quinta-feira, Novembro 27, 2003

Atração
Lucas C. Lisboa

A minha boca provar
O sabor de tua saliva
Este gosto de teu suor

O meu corpo deliciar
O calor da carne viva
Neste teu desejo maior


Sr. Personna às 08:18


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Terça-feira, Novembro 25, 2003

O Desfazer D'uma Era
Iago S. O. Pereira

E dissolve-se em brumas o desejo
que já adornara a coroa solar,
do breve sonhar findado o ensejo
morre nas tumbas o dever de amar.

Cai de minhas mãos o ídolo quebrado
que a vida acompanha no desabar
morre a fada de meu sonho fadado
ao frenesi de dança ao luar.

O véu de veludo guarda o mistério
das cores que dimanam à razão
e que a minha vã esperança alcança.

Componho então uma ode ao cemitério
que canto ao talhar este novo Adão,
sobre o brilho da estrela da mudança.





Mr. Six às 14:20


Comentários:



O Ofício do Poeta
Lucas C. Lisboa

O poeta que faz dos versos
Cruz, escudo, rosa e espada
Esquece do fim da estrada
Tece sentidos diversos

O poeta que faz dos versos
Cruz, escudo, rosa e espada
Perde o início para o nada
Nos pensamentos perversos

Poeta que dos versos faz
A cruz que adorna sua fé
O escudo defensor à mente

Poeta que dos versos faz
A rosa do amor que és real
A espada da luta ao ideal


Sr. Personna às 10:49


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Segunda-feira, Novembro 24, 2003

Sentimento Comum
Bruno G. Fonseca/Lucas C. Lisboa

Um dia saberás, minha cara amiga,
a amizade é só uma forma de amor,
e poderás, ai, sentir falta disso,
e um dia viver por mim igual dor.
Espero, não tarde, percebas isto.
E a mim de todo perdida não venha,
não lhe darei sequer mais uma lágrima.


0Infante às 10:50


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Da Inércia
Bruno G. Fonseca

Tudo que vai...
...continua...




0Infante às 10:38


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Sábado, Novembro 22, 2003

Rosa Flor
Bruno G. Fonseca

Deixes de ser amarga,
não és flor.
Teu aroma de rosa
não me engana.
Já foste preciosa,
minha cara.
Teu brilho de ouro...
O ouro,
tolo da mais falsa pirita.
Tua prata engana a espada,
e teu sangue...
Não! Não é seiva,
não és rosa,
não foste flor!




0Infante às 23:04


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Terça-feira, Novembro 18, 2003

Olhar
Lucas C. Lisboa

Diga-me o que queres
Com teu ruidoso silêncio
Que a mim nada diz


Lembranças
Lucas C. Lisboa

Memória é um livro
de páginas arrancadas
e sem qualquer índice



Sr. Personna às 11:01


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Segunda-feira, Novembro 17, 2003

Poema sem Rumo
Bruno G. Fonseca

Palavras ingratas
versos em cântico.
Parece um otário,
aquele último romântico.

Sentadas em um banco,
gratuitas palavras.
Escrevem-se em branco,
sem intuito à jornadas


0Infante às 19:26


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Domingo, Novembro 16, 2003

Noite.
Iago S. O. Pereira

negro, negro
o entardecer devorou o mundo.
não há mais grito e zombaria
nos campos uma vez floridos.
negro, negro
um dragão engoliu a lua.
seu bafo escureceu os céus
inflamou o terror nos homens.
negro, negro
proliferam mudos morcegos
a deformar os que restaram
nesta planíce agora infértil.
negro, negro
um infindável pesadelo
de noites não mais estreladas
em um oceano de cinzas.



Mr. Six às 22:06


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Sábado, Novembro 15, 2003

Soldado Errante
Bruno G. Fonseca

Fugi de algo...
Tarde, amanhã,
chegarei lá,
cansado ofegante,
em fronteiras distantes,
muros e grades,
desse mundo de vidro,
parte destemido,
seguindo avante,
o combatido,
o infante.

Calo nos pés,
sangue nas mãos,
vontade na fé,
perdido o pulmão,
logo...Morto...


0Infante às 13:49


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Sexta-feira, Novembro 14, 2003

Sem Idéia
Bruno G. Fonseca

O que vem à cabeça,
o escritor passa a limpo.
Sem palavras na boca,
com frases nos livros.

Há sempre inspiração,
algo do mundo a relatar.
Mártires esquecidos são,
o novo universo está criado.

As letras se divergem,
atento as ordena.
um lápis no bolso,
um caderno a vista.
-Terra à vista!
-Mundo à vista...


0Infante às 16:45


Comentários:



O Poeta e a Artista
Lucas C. Lisboa

Ambos seguramos à pena ao papel
Eu que escrevo rimas e teço esses versos
Já tu que retratas o desejo e a beleza
Numa mesma essência deste mais puro fel

Ambos sonhamos com um novíssimo céu
Eu perdido em pensamentos e devaneios
Tu que me esperas nesse pitoresco luar
Em tua boca o gosto do chocolate e mel

Um beijo de arte noveau escrito e delineado
Eu escrevo-te esses poemas de todo eróticos
Tu em cada traço nos mostra um caminho

Um toque nosso ao surrealismo alemão
Eu componho em palavras uma ode ao amor
Tu ao redor desenha aquele que nos une


Sr. Personna às 16:03


Comentários:

Quinta-feira, Novembro 13, 2003

O Novo Romântico
Bruno G. Fonseca

Pertenço a um grupo de desolados,
destino trágico de um coitado,
um suicida sem arma,
sonha ele encontrar sua alma.

O insípido desejo da vida,
pertence a pálida esperança de Pandora,
ter entre os dedos as feridas,
viver para sempre o agora.


0Infante às 16:13


Comentários:



Desejar
Lucas C. Lisboa

Quero sorver-te em um único beijo
nesta tua boca que a muito desejo
Enebriar-me enfim ao corpo sedento
Ter um multi-facetado momento

Em teus traços extasiados eu vejo
ao toque desnudo sentir teu tejo
Tocar de brasas é tudo que sinto
a entrega total eu já permito

Doce paladar em nossa nudez
as lângüidas lingüas que se percorrem

Esta que é libidinosa maciez
Da mais pura ardência que nos persseguem

Do nosso prazer despido se fez
gozo em todos os sentidos se perdem


Sr. Personna às 15:40


Comentários:



Isso é Justo?
Bruno G. Fonseca

Vejo veteranos voar pelos céus,
pássaros novos cairem de lá,
sei ladrões para o banco dos réus,
os culpados nunca vão para lá.

Justiça seja feita,
eles sabem demais,
forjam esquemas,
e lhe enganam, Justiça.

Parados!
"Esqueceram a grana";
dizem juizes a seus convidados,
parceiros, agora, do bem, o mal.


0Infante às 12:45


Comentários:




"Toda vez que um justo grita,
um carrasco o vem calar,
quem nao presta fica vivo,
e quem é bom mandam matar
"

Cecília Meireles, "O Justo"


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